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Brian de Palma, o polêmico

 

Seu mais recente filme, "The Black Dahlia", estreou hoje aqui nos EUA (já vejo e conto como é). Nos trailers, seu nome não era tocado, porque a nova geração não tem idéia de quem é Brian DePalma, um dos dez melhores diretores de cinema vivos --tudo bem, porque a maior parte da crítica também ignora que o livro no qual o filme é baseado é um conto de ficção do que aconteceu com a mãe do escritor, James Ellroy, que foi assassinada, um crime até hoje não resolvido (FIZ CONFUSAO: leia correcao nos comentarios).

Agora, a polêmica envolvendo a carreira do diretor --do tipo "ame-o ou deixe-o"-- é tema do NYTimes de depois de amanhã, que você lê aqui antes.

Scarlett Johansson in Universal Pictures' The Black Dahlia



Escrito por Sérgio Dávila às 15h20
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Deu coronel Ubiratan na Economist

 

A edição que saiu ontem da revista britânica defende que o policial brasileiro foi morto a mando do PCC, não por crime passional. "Amor está entre as mais improváveis paixões que o coronel despertava", escreve o semanário.

North America Issue Cover for Sep 16th 2006



Escrito por Sérgio Dávila às 12h43
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Oscar sorteia vaga para espectador

 

A partir desta segunda-feira, o Oscar sorteia 300 vagas em seu tapete vermelho para espectadores que se inscreverem no site oficial. Os ganhadores terão direito a ficar numa das platéias externas do Kodak Theatre (nós, pobres mortais jornalistas, ficamos em outras) vendo as celebridades chegarem, acenarem e entrarem no teatro para a cerimônia (nós, pobres mortais jornalistas, vamos para a sala de imprensa; os espectadores são mandados embora).

As inscrições estarão abertas por uma semana, e os escolhidos, ao acaso por computador, poderão chegar já na manhã do dia domingo, 25 de fevereiro de 2007, data da 79a edição do prêmio. O site: www.oscars.org/bleachers. Cada participante pode se inscrever até quatro vezes; os escolhidos saberão no dia 2 de outubro. No ano passado, 25 mil pessoas se inscreveram --é o quinto ano do sorteio. Minha recomendação? Não vale a pena.

 



Escrito por Sérgio Dávila às 17h30
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Sai o primeiro romance cômico sobre o assunto

 

Dá para dar boas risadas com o 11.9, também. Acaba de sair o primeiro (grande) romance cômico sobre o assunto, de alguém que estava lá no dia mas soube rir depois. É The Zero, de Jess Walter. Especialmente para quem reconhecer Bernard Kerik, ex-chefe de polícia de NY sob Giuliani, no papel de The Boss...

 



Escrito por Sérgio Dávila às 00h07
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Onde você estava naquele dia?

 

* Donald Rumsfeld estava no Pentágono (mas não foi atingido)

* Christopher Hitchens não acha que seja importante saber



Escrito por Sérgio Dávila às 00h03
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Fotos de então - final



Escrito por Sérgio Dávila às 00h01
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O texto de 11.9.2001

A ponte que ligava as duas torres do World Trade Center está a 10 metros, caída no chão sobre dois carros da polícia e quatro caminhões dos bombeiros. Cedeu quando a primeira torre veio ao chão. Dois enfermeiros carregam uma maca com o corpo de um bombeiro. Ele está decapitado.
Protegido por uma máscara que consegui com um dos bombeiros, pude ultrapassar três bloqueios policiais e estou a poucos passos dos fundos do que sobrou das estruturas das duas torres. O ar está tomado por uma mistura de pó branco com fumaça preta. É meio-dia, o sol brilha alto, mas ao lado do World Trade Center está escuro como noite.
Além do ar sufocante e do calor que emana das duas construções em fogo, há um desagradável cheiro doce de queimado, que embrulha o estômago.
O barulho dos alarmes de incêndio dos prédios vizinhos, todos disparados, se junta aos alarmes dos carros que não foram completamente queimados e às sirenes das ambulâncias e das viaturas que conseguiram escapar do segundo desabamento.

Desordem
Não há uma ordem aparente. Policiais chegam, sozinhos ou em duplas, e gritam ordens, que são modificadas pelo chefe dos bombeiros, que se sobrepõe aos agentes do FBI. No meio da confusão, enfermeiros, paramédicos e voluntários não sabem o que fazer.
Eles são os que sobraram, a terceira leva do resgate. A primeira foi quase toda soterrada pelo primeiro desabamento. Parte da segunda, que foi enviada para tentar resgatar a primeira, está sob os escombros do segundo desabamento. A terceira é de bombeiros que estavam de folga, enfermeiros aposentados, policiais de outros bairros da cidade, agentes mais acostumados ao trabalho atrás das mesas, estudantes de medicina e de enfermagem.
De vez em quando, todos se entreolham assustados: um dos canos de gás que ainda resiste na estrutura dos prédios explode, fazendo um barulho desagradavelmente parecido com o das bombas de minutos atrás. Cães farejadores começam a latir e a vasculhar pedras, atrás de corpos.

Primeiro desabamento
O escritório da Folha em Nova York fica a cerca de 15 quadras do local da explosão, ambos no sul da ilha de Manhattan, em Nova York. Desde que ouvi as primeiras sirenes e barulhos de helicópteros, fui para as ruas tentar chegar ao World Trade Center.
Em questão de minutos, o serviço do metrô foi interrompido. Logo as ruas foram invadidas por pessoas, que tomaram os táxis e os ônibus, já parados pelo tráfego. A solução foi caminhar. Descendo a Terceira Avenida, o primeiro susto: uma das duas torres que até então estavam lá, à vista, desaba numa nuvem de poeira.
Nenhum barulho, nenhuma alteração. As lojas ainda estão funcionando, a bilheteria do cinema ainda vende ingressos. Até que as primeiras notícias começam a chegar pelo boca-a-boca. Realmente, a torre desabou. Começam a se formar filas nos poucos telefones públicos que ainda funcionam. Os primeiros gritos.
Todos tentam em vão falar nos celulares, que estão fora do ar. Um casal atravessa a rua correndo e chorando. Dois amigos se abraçam com lágrimas nos olhos. Uma senhora leva as mãos à cabeça e pergunta: "Por quê? Por quê?" Grupinhos assustados vão se formando nas esquinas.
Já na altura da Quinta Avenida, com uma visão mais completa da torre que sobrou, tomo o segundo susto. É como uma batida de carro. Um ruído surdo e seco, alguns berros. Um silêncio. E então a correria nas ruas, o desespero, o pânico. A segunda torre acaba de desabar, ali, aos olhos de todos, em nova nuvem de poeira.
Consigo chegar à parte de trás do que ontem de manhã era o prédio mais alto da cidade. O cenário é de guerra. Todos os edifícios num raio de três quarteirões sofreram pelo menos algum abalo. Alguns ainda correm risco de desabamento.
A poucos passos de uma das entradas da segunda torre do prédio, um telefone público teve o gancho arrancado. Sobre o aparelho, um saquinho com um resto de maconha. No chão, perto de um dos carros queimados, um chapéu de policial pisado faz companhia para duas botas destruídas numa poça de sangue.
Perto das 13h, com o fogo aparentemente controlado e sem perspectivas de novos desabamentos, uma nova leva de salvamento, a quarta do dia, começa a chegar. São dezenas de homens, que andam juntos arrancando mais poeira do chão, numa imagem que remete ao Velho Oeste.
Batalhões de voluntários, bombeiros, médicos e policiais passam a se aproximar em blocos do prédio para verificar se há sobreviventes. Mas não há. Em minutos, macas começam a ser tiradas. São corpos esmagados, na maioria policiais e bombeiros, cobertos de pó branco e sangue.
Nesse momento, sou expulso do lugar.



Escrito por Sérgio Dávila às 23h59
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Mais fotos de então 2

 

 



Escrito por Sérgio Dávila às 23h57
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Mais fotos de então



Escrito por Sérgio Dávila às 11h07
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Fotos de 11.9

 

Algumas fotos tiradas por Teté Ribeiro na manhã daquele dia:

 



Escrito por Sérgio Dávila às 10h47
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Caiu a segunda

 

"Good Lord. There are no words." São 10h28 de 11 de Setembro de 2001, e Aaron Brown acaba de anunciar a queda da segunda torre.

 



Escrito por Sérgio Dávila às 10h29
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ABC muda série

 

A primeira parte de "Paths to 9/11", escrita por um republicano, que, em resumo, coloca toda a culpa por 11 de Setembro no governo Clinton --e no fato de ele estar mais preocupado em justificar seu romance com a estagiária do que em capturar Osama bin laden-- foi ao ar ontem pela conservadora ABC com algumas mudanças que atenuam o tom francamente republicano do programa. Hoje tem mais.

 



Escrito por Sérgio Dávila às 10h27
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Caiu a primeira

 

Acaba de cair a primeira torre. Quem mostra é Aaron Brown (que hoje não trabalha mais na CNN). É o célebre "Wow!", que ele solta.

 



Escrito por Sérgio Dávila às 10h00
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Bush fala (em 11.9.2001)

 

Às 9h30, ainda seguindo a Pipeline, Bush dá sua primeira entrevista sobre o ataque (e some).

 



Escrito por Sérgio Dávila às 09h32
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Mais fotos

 

Outra foto citada por Rich é a polêmica do corpo caindo, que mereceu um belo artigo de Tom Junod na última Esquire. A foto (para os que tem estômago forte):

 



Escrito por Sérgio Dávila às 09h31
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As fotos

 

* O site de um dos livros que eu cito no texto abaixo é http://www.watchingtheworldchange.com/. Traz uma das fotos mais criticadas daquele dia, de um grupo de ciclistas descansando e se divertindo com as torres queimando ao fundo (veja abaixo). A foto é citada pelo colunista Frank Rich, do NYTImes, em sua coluna de ontem.

snipshot_1kui66r8bh.jpg

 



Escrito por Sérgio Dávila às 09h20
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Cobertura da CNN então

 

É curioso ver a cobertura da CNN no dia (que o serviço Pipeline deles reprisa) pela primeira vez --estávamos todos na rua naquela manhã. às 9h15 da manhã, com o segundo avião já destruído, ninguém tem idéia ainda de que se trata de um ataque terrorista e nem mesmo qual o modelo de avião. Há queme specule que seja um míssil disparado contra as torres.



Escrito por Sérgio Dávila às 09h15
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Em busca do filme perdido

Em 2004, 12.386 itens foram entregues no escritório de achados e perdidos do departamento de trânsito de Nova York, na Penn Station, embaixo do Madison Square Garden. Junto do da Grand Central Station, é o principal da cidade. O número de objetos então foi 33% menor do que no ano passado e promete diminuir em 2006. As pessoas perdem menos coisas na cidade, pelo menos nos trens, ônibus e metrôs controlados pelo órgão do governo. Quando perdem, são peças de roupa (luvas e cachecóis, principalmente), mas também iPods, laptops e até objetos grandes como bicicletas.

Na manhã de 11 de Setembro de 2001, a jornalista Teté Ribeiro perdeu um filme precioso. Quando deixou comigo nosso apartamento no East Village, minha mulher insistiu em levar uma máquina de fotografar que usava o então moderno filme Advantix, da Kodak, aquele que não precisava ser rebobinado. Pegou dois rolos e saímos de casa. No caminho, ela fez as fotos históricas que você vê nessas páginas.

Foi do filme que sobreviveu.

O outro, disparado primeiro, caiu de seu bolso, na correria daquela manhã, provavelmente quando ela o trocou pelo novo. Durante estes cinco anos, esperamos secretamente que alguém o tivesse achado, mandado revelar e colocado em algum livro, revista, artigo de jornal. Valeria a pena. Entre as imagens registradas, há uma de Gisele Bündchen correndo da nuvem de poeira (Teté conseguiu enxergá-la na confusão e fez uma entrevista com a modelo, publicada na edição do dia 12 da Folha).

Nada. Nossa mais recente esperança foram dois livros lançados nesta semana.

O primeiro é "Watching the World Change" (vendo o mundo mudar), editado por Edward Kosner, que reúne imagens, clipes de TV, fotografias, pedaços e recortes do evento provavelmente mais registrado da história até hoje, feitos por celebridades ou anônimos. Traz, por exemplo, as únicas que se tem notícia do choque do primeiro avião, registradas pelo documentarista francês Jules Naudet e por três "cinegrafistas amadores" (na verdade, pessoas comuns que estavam com suas câmeras de vídeo de uso doméstico ligadas naquele exato momento), dois em Manhattan, dois no Brooklyn.

(O livro mereceu um emocionado artigo de Garrison Keillor, que o público conhece como o apresentador do programa de rádio "A Prairie Home Companion", do filme homônimo de Robert Altman, em que ele interpreta a si mesmo.)

A outra obra é "Aftermath - World Trade Center Archive" (conseqüências - os arquivos do WTC), de Joel Meyerowitz, em que o fotógrafo do Bronx reúne as imagens mais significativas que conseguiu fazer da limpeza do Ponto Zero, a que teve acesso durante os nove meses que durou a operação por conta do bom contato que manteve com a polícia de Nova York.

Na manhã de 11 de Setembro de 2001, não se perdiam iPods, que só seriam lançados ao público no dia 23 de outubro daquele ano. Hoje, já não se perdem mais filmes Advantix --em 13 de janeiro de 2004, a Kodak anunciou que deixaria de fabricar máquinas com filmes tradicionais e passaria a se concentrar em equipamentos digitais. Mas nós continuamos em busca de nosso rolo perdido.



Escrito por Sérgio Dávila às 09h06
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Onde você estava na manhã de 11 de Setembro de 2001?

 



Escrito por Sérgio Dávila às 21h22
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A foto mais baixada

 

Donald Rumsfeld cumprimentando Saddam Hussein em Bagdá, a mando de Ronald Reagan, em 1983, no então aliado Iraque, já é a foto mais baixada do site do National Security Archive, ligado à Universidade George Washington. Bateu a de Elvis Presley dando a mão a Nixon, a campeã anterior.

Para matar a saudade, na semana em que o secretário da Defesa de Bush comparou quem é contra a Guerra do Iraque aos que subestimaram os perigos do nazismo:

[Rumsfeld]



Escrito por Sérgio Dávila às 21h12
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NYTimes propõe em editorial o fim da bagagem de mão

 

É a única maneira, hoje, de voar com segurança, defende o jornal. Minha proposta (e a de todos os usuários de laptop, celular e outros): banir o NYTimes dos vôos.

 



Escrito por Sérgio Dávila às 17h03
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Sim, os EUA podem ser atacados novamente, dizem analistas. Não, não podem, dizem pesquisadores.



Escrito por Sérgio Dávila às 16h51
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As primeiras 16 horas do ataque, pela TV

 

O serviço Pipeline, da CNN, vai retransmitir sua programação do dia 11 de Setembro de 2001, das 8h30, minutos antes de começarem a chegar as primeiras informações do "pequeno avião que entrou por acidente numa das torres", até a meia noite daquele dia. Começa amanhã, às 8h30 de NY.

 



Escrito por Sérgio Dávila às 16h42
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Os jornais

 

World Trade Center

 

*Keith Meyers e as fotos que fez das torres gêmes nas últimas décadas, para o NYTimes (uma delas acima)

* FBI (pomba) e CIA (falcão) divergem quanto a métodos de "interrogatório", diz o NYTimes (incluem tocar Red Hot Chili peppers em alto volume e deixar o "interrogado" numa sala com ar condicionado no máximo, até que a pessoa "fique azul")

* Dick Cheney (überfalcão) e Condoleezza Rice (pomba-falcão) defendem a Guerra do Iraque

* Dick Cheney perde o poder na Casa Branca, diz o Times

* Bin laden, apelido "Elvis", diz o WPost



Escrito por Sérgio Dávila às 16h39
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A partir de agora...

 

...e até amanhã, o blog será monotemático: 11 de Setembro, 5 anos.

 



Escrito por Sérgio Dávila às 16h26
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Coluna América de hoje

o que fazer com os ossos?


Vista do sul de Manhattan sem as torres gêmeas

texto e foto por Sérgio Dávila

Cinco anos depois, o buraco ainda está lá.

O cheiro é diferente. Em vez do aroma repugnantemente doce daquela manhã, carregado pela pesada nuvem de resíduos que tomou o ar, o que se sente hoje é a velha poluição despejada pelos carros (poucos), táxis (a maioria) e ônibus que cortam o quase-quadrado. Descem a Broadway em direção a Wall Street, sobem a rodovia West Side em direção ao túnel Holland.

Em vez do conjunto de prédios, em vez das torres gêmeas, está lá um buraco que não dá mostra de ser fechado, dividido pela mesma rampa que recebeu tantas homenagens e que será marcada de novo pelo pisar das famílias das vítimas nesta segunda-feira, 11 de setembro de 2006. O único sinal de atividade é a finalização da estação de trem. Mas há algo que não muda: a lembrança de que algo extraordinário aconteceu naquele dia.

Chame de persistência da memória, se quiser. Ou de capricho do destino. Ou de qualquer um desses chavões. Há algumas semanas, a equipe de demolição que inspecionava o que um dia foi a sede do Deutsche Bank em Nova York em busca de resíduos tóxicos não acreditou no que via. No topo do prédio do número 130 da rua Liberty, no lado sul do quadrado que forma o Ponto Zero, descansavam dez fragmentos de ossos humanos que passaram despercebidos nos últimos 1.800 dias.

Do lado norte do Ponto Zero, está o prédio que substitui o 7 World Trade Center (a torre norte era a 1, a sul, a 2; outros prédios menores acompanhavam o complexo), a última a cair naquele dia, que o incorporador Larry Silverstein acaba de inaugurar e quer repovoar a todo custo. Do lado leste, na rua Church, a popular loja de departamentos Century 21 anuncia mais uma liquidação e avisa, num outdoor pregado na fachada, que a entrada agora é pela Church. A idéia é que Nova York continua aberta, "Business as usual" (negócios, como sempre). Até que apareceram os ossos.

Eram dez fragmentos de alguma das 2.749 vítimas daquele dia. Vieram se juntar aos mais de 90 mil restos humanos achados desde a queda dos prédios. Muitos ainda não tiveram seus corpos identificados -ou seja, muitas famílias se conformam com funerais simbólicos. Com o achado, nova inspeção foi determinada, uma vez que o prédio deve vir abaixo nos próximos meses. Outros 300 pedaços de ossos foram encontrados. Agora passam por testes de DNA, em busca de novas identidades.

"Você consegue imaginar isso?", pergunta Walter, um dos voluntários de uma organização de amigos e familiares das vítimas. "Cinco anos depois?" Ele era um dos milhares de executivos que trabalhavam naquela parte da cidade, no ramo financeiro. Naquela manhã, dava braçadas na piscina do hotel Marriott, ou o 3 World Trade Center. Deixou o edifício de sunga e óculos de natação. Para sua surpresa, ninguém na rua estranhou. É que as duas torres gigantes estavam em chamas, e a queda de ambas logo esmagaria o hotel no chão. "Alguns dos que nadavam comigo morreram já na hora do choque dos aviões, com os pedaços das torres que caíram", lembra, enquanto conversamos sobre aquela manhã.

Na semana que antecedeu o 11 de Setembro, o então ministro da Fazenda Pedro Malan, da gestão Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), andava pela cidade a acalmar os banqueiros de Wall Street pela enésima vez. Ele deixou Manhattan no feriado da sexta-feira, 7 de Setembro, mesmo dia em que Michael Jackson se encontraria pela primeira vez com os irmãos para um show memorável no Madison Square Garden. Os dias eram agitados.

Mas às 8h46 do dia 11, o vôo 11 da American Airlines se espatifou contra a torre norte. Minutos depois, a CNN passou a dar a notícia de que "aparentemente um avião de turistas se chocou por acidente num dos prédios do World Trade Center".

Saí de casa levando minha mulher, Teté Ribeiro, também jornalista, por precaução. Por precaução também, ela apanhou uma máquina fotográfica. Fizemos a pé o percurso de mais de 30 quarteirões e pouco mais de 4 quilômetros que separavam o número 212 East da rua 12, no East Village, até aonde era possível se chegar pela rua Church. Já não dava mais para apanhar táxi ou ônibus, e todas as linhas de metrô tinham sido interrompidas.

Saímos de casa com a informação que todos tinham.

Ao chegarmos à calçada, o segundo avião, o vôo United 175, já havia se chocado contra a torre sul, às 9h03. Enquanto descíamos pela Quinta Avenida, depois pela West Broadway e finalmente pela Church, a torre sul desabou, às 9h59. Logo, cairia também a torre norte, 102 minutos depois de atingida. Ao caminhar no contrafluxo do mar de pessoas, as barreiras iam sendo fechadas às nossas costas. Primeiro, era proibido descer abaixo da rua 14. Depois, da Houston. Por fim, da Canal -mas nós já havíamos furado o bloqueio policial, desorganizado com tantas perdas e informações desencontradas.

O resto foi o horror.

Refazer esse percurso cinco anos depois é reencontrar poucos elementos que lembram aquele dia. Com exceção de uma ou outra bandeira norte-americana que insiste em enfeitar uma janela, a cidade é basicamente igual. Há novos prédios, outros foram demolidos para dar lugar a novos condomínios, o aluguel subiu ainda mais, o preço do metro quadrado disparou para valores obscenos, lojas abriram, lojas fecharam, a população se manteve mais ou menos estável, o crime também.

Rudolph Giuliani, então prefeito, continua às voltas com política, pensando em concorrer à presidência em 2008. Michael Bloomberg, seu sucessor, continua prefeito. O nova-iorquino continua lembrando daquele dia. Segundo pesquisa publicada na quinta-feira pelo jornal "The New York Times", 29% dos ouvidos pensam no ataque todos os dias; 17%, toda semana; 47%, de vez em quando. A briga pelo memorial continua a mesma. Por enquanto, o grande buraco só vê memoriais improvisados.

Como o painel de fotos, bilhetes, desenhos de crianças, crachás, identificações, capacetes, bonés, roupas, flâmulas, bandeiras (uma do Brasil), bandeirolas, velas, santos, cruzes, menorás, terços, rezas que enfeitam a parede de frente para quem consegue entrar no Ponto Zero. Bonecos de pelúcia enviados de toda parte do mundo. Um pedaço do que sobrou do atentado de 1993. Uma placa de mármore preto. Um cartaz que Jess, Joey e Justin deixaram: "Papai! Nós sentimos sua falta!" Flores murchas.

Manhattan é mais ou menos a mesma. O país é que mudou, e, com ele, o mundo.

Mas algo continua igual, ao final da rua Church, no lado esquerdo de quem desce: o buraco. Cinco anos depois, resiste -assim como as brigas quanto ao que fazer do local, que é considerado solo santo por muitos e uma potencial fonte de dinheiro por outros tantos. A cidade não sabe o que fazer com ele. A história ainda não decidiu o que fazer do ataque terrorista.

Enquanto isso, os ossos continuam aparecendo.



Escrito por Sérgio Dávila às 16h24
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As semanais

 

A Time apela para a blasfêmia, ainda perdida na transição entre revista de informação e de análise...

...a Newsweek, que já se achou, explora a história da CEO da HP que explorou sua própria diretoria.



Escrito por Sérgio Dávila às 16h23
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Deu o artista plástico...

 

...brasileiro Ernesto Neto na Economist de hoje. Ele expõe seu Leviatã no Panthéon de Paris, depois em Nova York.

A instalação:

 



Escrito por Sérgio Dávila às 16h06
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Economist de hoje

 

Sim, o clima está mudando. Sim, há aquecimento global. Quando a conservadora Economist concorda com seu arquiinimigo, o ex-vice-presidente Al Gore, é que a coisa deve estar mesmo feia...

North America Issue Cover for Sep 9th 2006



Escrito por Sérgio Dávila às 15h49
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Depois de Ahmadinejad...

 

..., é a vez de Muammar Khadafi inaugurar seu blog, me envia por e-mail Ligia Valdrighi. Um dos itens: a Fifa é de todo o mundo, não só de uma elite de países, reclama o presidente líbio --no final do post, remete para o verbete "esporte" no já famoso Livro Verde

(e se todos eles se juntarem e fizeram o blog coletivo eixosdodomal.org?)

foto do blog



Escrito por Sérgio Dávila às 15h07
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Ainda a bebê Suri

 

Vanity Fair divulga a capa e Larry King mostra hoje à noite as 22 páginas com as fotos da filha de Cruise-Holmes. A Time-Warner, a mesma que edita a People e a Time, pagou US$ 4 milhões pela foto do bebê de Angelina Jolie e Brad Pitt (quatro vezes o orçamento anual do escritório inteiro do NYTimes em Bagdá). É o "new new journalism".



Escrito por Sérgio Dávila às 09h32
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Fotos da filha de Tom Cruise e Katie Holmes

 

Katie Couric, a nova âncora do CBS Evening News, um dos três principais telejornais noturnos norte-americanos, que estreou hoje, mostrou como pièce-de-resistance as fotos de Suri, a misteriosa filha de Tom Cruise e Katie Holmes, um dos segredos mais bem-guardados do jornalismo de fofocas. O trio será capa da revista Vanity Fair que chega amanhã às bancas. Até a década passada, Dan Rather, Peter Jennings e Tom Brokaw informavam os EUA pela TV no final do dia. Katie Couric começa uma nova era no telejornalismo norte-americano, mais light. Seu primeiro furo? As fotos da filha de um casal famoso. Abaixo, as imagens (do site Egotastic):



Escrito por Sérgio Dávila às 21h05
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As semanais de hoje

O que perdemos (desde 11.9.2001), pergunta a Time, sobre os 5 anos do 11 de Setembro, assunto que a Newsweek ignora.



Escrito por Sérgio Dávila às 14h07
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Coluna América de hoje

Os assinantes do serviço TimesSelect, do "New York Times", recebem uma vez por mês os artigos mais visitados nos últimos 30 dias no site do jornal. É um instantâneo do que está chamando a atenção de um tipo específico de leitor -norte-americano progressista do norte, com formação superior, das classes A e B- que, por seu poder e influência, representa milhares de pedras jogadas no lago globalizado.

Da última lista disponível dos dez mais lidos, quatro têm a ver com pedofilia. Dois deles mostram como os pedófilos fazem para se esconder na rede usando artifícios. Os outros dois são relacionados ao caso JonBenet Ramsey. Quem? Sorte sua se não sabe: o assunto é o mais coberto por redes noticiosas sérias como CNN e Fox News. Em semanas recentes, o telespectador médio norte-americano soube mais detalhes dessa história do que da Guerra do Iraque ou do primeiro aniversário do furacão Katrina.

JonBenet Patricia Ramsey nasceu em 1990, em Boulder, no Estado do Colorado. Foi assassinada em circunstâncias nunca esclarecidas aos seis anos, num dia de Natal. Vira-e-mexe, a imprensa arruma um suspeito, que já foi até a mãe da menina, morta há dois meses, vítima de câncer. Nos últimos dias, um mané em busca de fama se apresentou como o culpado. Como ele tinha ficha corrida para tal, foi o pretexto para renascimento da história toda (depois, testes de DNA revelaram que era alarme falso).

E é a história toda que dá medo: JonBenet era considerada a Gisele Bündchen, digamos assim, dos concursos de minimisses. Não estou brincando: há um universo que movimenta milhões de dólares com eventos do tipo nos EUA. Como quase todas as excentricidades desse país, do culto a Elvis ao SUV, essa também é conseqüência de uma classe média muito grande, com muito dinheiro e muito tempo nas mãos -e, nesse caso específico, embalada desde o berço por valores de supercompetitividade.

Pois esse mundo das mães suburbanas e suas pequenas aberrações é retratado de maneira ácida e hilariante em "Little Miss Sunshine", filme independente que foi o sucesso do último Festival de Sundance e chega ao Brasil em 20 de outubro. Nele, uma família disfuncional formada por um guru de auto-ajuda malsucedido (o pai, Greg Kinnear), uma dona-de-casa otimista (a mãe, Toni Colette), um viciado em heroína e pornografia (o avô, Alan Arkin), um adolescente que decide não falar por um ano em homenagem a Nietzsche (o irmão, Paul Dano) e um suicida homossexual que é o segundo maior estudioso de Proust nos EUA (o cunhado, Steve Carell) se une em torno de uma Kombi amarela que só pega no tranco para levar a pequena Olive (Abigail Breslin) para o concurso que dá título ao filme.

A viagem serve para que todos redescubram que se gostam muito e rende boas risadas, mas espere até o show de horrores que é o tal concurso, com meninas travestidas de mulheres, pequenas JonBenet de um país que não sabe onde encaixar suas crianças na cadeia de produção e consumo.


Escrito por Sérgio Dávila às 13h51
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Leia mais sobre o assassinato de Bush...

 

...aqui e aqui e meu texto de hoje na Folha sobre Bush aqui.

President Bush Photo



Escrito por Sérgio Dávila às 20h27
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Bush é assassinado em filme

 

O presidente George W. Bush acaba de fazer um discurso em Chicago, no Estado de Illinois. Quando sai do hotel em que estava, é atingido por tiros e morre. É o telefilme britânico "Death of a President", que deve ser exibido no dia 9 de outubro e já dá polêmica. O longa usa imagens reais manipuladas digitalmente para mostrar um sujeito colado com o rosto do presidente norte-americano sendo atingido, agarrado por agentes do serviço secreto e se retorcendo com o golpe. Mas nem tudo é o que parece, e o complô envolve mais gente do que se imagina.

Quem produziu e exibe o telefilme é o excelente More4, o braço digital do Channel 4 britânico. "É uma análise do que o terrorismo fez com os EUA", disse Peter Dale, da emissora. O diretor é o mesmo Gabriel Range de outro telefilme polêmico, "The Day Britain Stopped", de 2003. A Casa Branca disse que não perderia seu tempo comentando o filme.

Cena do telefime em que Bush é atingido, divulgada pelo More4



Escrito por Sérgio Dávila às 12h22
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Vôo United 93 - Não gostei

É difícil fazer arte a quente. Pelo menos, boa arte. OK, Picasso pintou "Guernica" no mesmo ano do bombardeio da cidade basca, durante a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), mas quantos picassos existirão no cinema atual? Certamente, Paul Greengrass não é um deles, ainda que tenha mostrado saudáveis traços autorais em "Domingo Sangrento", docudrama que o colocou no mapa de Hollywood em 2002.
O problema desse "Vôo United 93" é o excesso de concessões que faz e as liberdades históricas que toma com um tema que ainda está, por assim dizer, "na boca do povo". Alguns dos problemas:
  °°Não, não está provado que a revolta dos passageiros tenha sido motivada por heroísmo, e não por instinto de sobrevivência -o que é, aliás, totalmente compreensível, mas pouco "hollywoodiano";
  °°Não, não está provado que o avião tenha caído como conseqüência da ação dos passageiros, que teriam desconfiado de que ele se dirigia à Casa Branca ou ao Congresso;
  °°Ainda está para ser esclarecida a hipótese cada vez mais verossímil de que o vice-presidente norte-americano, Dick Cheney, naquele momento dando as cartas do jogo enquanto George W. Bush lia uma história infantil numa escola pública na Flórida, tenha usado as regras de engajamento em vigor e mandado caças abater o avião cheio de civis. Mas o filme é de ficção, e Greengrass poderia ter feito o que quisesse com ele, argumenta você. Poderia, mas não fez: o britânico ouviu as famílias das vítimas e respeitou demais todas as objeções feitas -é gente demais dando palpite na obra alheia. Não que os 111 minutos sejam totalmente perdidos. Greengrass consegue passar sua visão do que deve ter sido o sentimento de claustrofobia e inevitabilidade de alguns passageiros, assim como o caos e o desencontro de informações que dominavam os bastidores do sistema de controle aéreo e as forças de segurança daquele dia. Mas é pouco. "Vôo 93" é um filme sobre um momento histórico, mas está longe de ser um filme histórico.°


Escrito por Sérgio Dávila às 11h23
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A Dama na Água - 2

As notícias da morte cinematográfica de M. Night Shyamalan foram grandemente exageradas. "A Dama na Água" não é seu melhor filme. Não está nem entre seus quatro grandes -isso de um cineasta que tem apenas sete longas na carreira. Mas está longe de ser inassistível ou incompreensível, como disse parte importante da crítica nos Estados Unidos.
É um conto de fadas para adultos, e seus defeitos e qualidades vêm do mesmo aparente paradoxo: convencer uma platéia de marmanjos a apreciar uma história infantil, em que uma ninfa chamada História surge no fundo da piscina de um prédio de apartamentos na Filadélfia com a missão de salvar o mundo e, no meio do caminho, unir pessoas e reavivar a criatividade de um escritor.
Todo o léxico do diretor está aqui: a água como elemento modificador, a criança com a ação definitiva, a importante cena no porão, a ponta do diretor, o personagem principal que procura a redenção de seu passado. Esses tiques e manias fazem o fã sorrir como se estivesse encontrando um velho amigo, mas podem alienar o espectador eventual, que não se identifica com a obra do diretor indo-americano e só quer ver seus R$ 20 renderem as duas horas no shopping, o que é plenamente justificável. Mas vale dar uma chance à história e a História. Quem embarcar no conto estará a caminho de uma grande viagem.



Escrito por Sérgio Dávila às 11h12
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A Dama na Água - 1

Num jantar, no ano passado, no restaurante que M. Night Shyamalan, homem de hábitos rígidos, sempre freqüenta, na Filadélfia, Estado da Pensilvânia, onde mora com a mulher e duas filhas e sempre filma, o diretor indo-americano de 36 anos não podia acreditar no que ouvia. E o que ouvia eram críticas, pela primeira vez em sua carreira, duras críticas.
Seus autores eram os executivos do estúdio com quem trabalhava desde seu primeiro filme importante, "O Sexto Sentido" (1999), que colocou a frase "Eu vejo pessoas mortas" ("I see dead people") no dicionário da cultura pop e levou US$ 672 milhões à Disney, só em bilheteria mundial, sem contar vídeo, DVDs e exibições de TV.
Chamado numa reportagem de capa da revista norte-americana "Newsweek" de "O próximo Spielberg", Manoj Nelliyattu Shyamalan (tanto a abreviação do primeiro nome quanto o "Night" são da época da faculdade) tinha poder de fogo.
Seus filmes foram relativamente baratos para os padrões de Hollywood, entre US$ 60 milhões e US$ 70 milhões para fazer. E deram resultado: além de "Sexto Sentido", "Sinais" (2002) faturou US$ 408 milhões; "Corpo Fechado" (2000) e "A Vila" (2004) levaram US$ 250 milhões cada um. Mas o roteiro de "A Dama na Água", seu sétimo longa, tinha problemas.
Pelo menos é o que achavam os executivos da Disney naquele jantar, liderados por Nina Jacobson. Eles haviam recebido cada um em sua casa cópias do roteiro com seus nomes marcados em cada página, para evitar que algo caísse na internet.
Mas um personagem chamado História? Que era uma ninfa marinha que vinha do fundo da piscina para salvar o mundo? Um crítico de cinema que era desprezível? E os nomes dos personagens e os termos inventados? "Cleveland" (Paul Giamatti, o zelador do prédio)? "Narf" (a ninfa)? "Tartutic"?
Nada fazia sentido. O roteiro precisava de mudanças fundamentais. Era a primeira vez que Shyamalan ouvia isso do estúdio para o qual levou mais de US$ 1,5 bilhão em meia década, dinheiro trazido de roteiros originais, não adaptados, o que é algo cada vez mais raro em Hollywood hoje.

Hitchcock moderno
"Com a exceção da Pixar, fiz os quatro filmes seguidos mais lucrativos de todos os tempos", diz o diretor, que se considera uma espécie de Alfred Hitchcock moderno, de quem procura imitar a excentricidade.
Ele se levantou e foi embora chorando, conforme relata o livro "The Man Who Heard Voices - Or, How M. Night Shyamalan Risked His Career on a Fairy Tale" (O homem que ouvia vozes - Ou como M. Night Shyamalan arriscou sua carreira num conto de fadas), que Michael Bamberger, jornalista de esporte veterano da revista "Sports Illustrated", escreveu a quatro mãos com o diretor nos últimos meses.
Os executivos foram embora, o diretor mudou-se para a Warner, o filme foi feito por US$ 75 milhões e faturou até agora pouco mais de US$ 40 milhões. Nina Jacobson, a presidente do estúdio, perdeu o emprego dias depois. "Mesmo que o filme dê totalmente errado, ainda terei acertado 80% das vezes", contabiliza Shyamalan no livro. "Continuo um retorno garantido, não?"



Escrito por Sérgio Dávila às 11h10
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