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Sai lista dos documentários pré-selecionados ao Oscar - 2

 

Eram 81 pré-selecionados. Agora, dos 15 abaixo, cinco serão anunciados no dia 23 de janeiro e um sairá vencedor no dia 25 de fevereiro. Repare que dos títulos abaixo, quatro lidam diretamente com a Guerra do Iraque, três são políticos, sendo um deles sobre liberdade de expressão na Era Bush, e três falam da direita religiosa ou de seitas. Além, é claro, do best-seller ambiental de Al Gore, desde já o favorito.



Escrito por Sérgio Dávila às 18h32
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Sai lista dos documentários pré-selecionados ao Oscar

 

São 15 títulos:

Blindsight”
“Can Mr. Smith Get to Washington Anymore?”
“Deliver Us from Evil”
“The Ground Truth”
“An Inconvenient Truth”
“Iraq in Fragments”
“Jesus Camp”
“Jonestown: The Life and Death of People’s Temple”
“My Country, My Country”
“Shut Up & Sing”
“Sisters in Law”
“Storm of Emotions”
“The Trials of Darryl Hunt”
“An Unreasonable Man”
“The War Tapes”

 



Escrito por Sérgio Dávila às 18h25
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O Capitólio é pop - Wyclef Jean depõe hoje

 

O músico Wyclef Jean dá depoimento no Congresso hoje, uma das "testemunhas de defesa" do grupo que defende que o Legislativo aprove novos benefícios entre EUA e o Haiti.

 



Escrito por Sérgio Dávila às 16h40
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1% de toda a Internet é pornô

 

É o que informa um estudo encomendado pelo governo norte-americano, que usou como base as páginas indexadas pelos mecanismos de busca dos sites Google e Microsoft. O estudo servirá de argumento para que o Departamento de Justiça reviva parte do Ato de Proteção à Criança Online, de 1998, que exige que os usuários de sites pornográficos se registrem com nome e cartão de crédito. A Suprema Corte proibiu anteriormente a decisão, alegando que fere a liberdade de experssão.

 



Escrito por Sérgio Dávila às 16h27
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As semanais de hoje

 

A Time fala do "Centrão" norte-americano, renascido depois da vitória apertada dos democratas e que os realistas etsão no comando da política externa agora, o que você já leu aqui; a Newsweek fala da volta da influência de Bush 41 sobre Bush 43, o que você também já leu aqui.



Escrito por Sérgio Dávila às 17h55
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Coluna América de hoje: Tio Sam faz de tudo para recrutar soldados para lutar no Iraque

Estudantes contratados por uma emissora de TV visitaram três escritórios de recrutamento de soldados em três Estados. Como se sabe, o serviço militar não é obrigatório nos EUA hoje em dia -em tempos de conflitos mais sérios, o presidente tem poderes de mudar isso, desde que autorizado pelo Congresso, como aconteceu durante a Guerra do Vietnã. Mas o de hoje é um exército de voluntários, como lembrou George W. Bush na coletiva de quarta-feira, quando concedeu a derrota republicana.

Pois bem. Sendo um exército de voluntários, os recrutadores têm que cumprir uma meta anual, que se complica quando o país está envolvido em algum conflito -e os EUA estão SEMPRE envolvidos em algum conflito. Hoje, há pelo menos 150 mil soldados no Iraque e outros milhares no Afeganistão. A reserva do país é de pelo menos 1 milhão de homens, um dos países mais militarizados do mundo.

Para alimentar essa máquina e convencer os jovens de que vale a pena servir o Exército, (quase) tudo é permitido. Foi o que comprovaram os estudantes mandados pela ABC News às cidades de Nova York, Jersey City e Connecticut. Eles tinham câmeras escondidas. Uma das perguntas que faziam era se não corriam o risco de serem mandados para o Iraque. As respostas que ouviram dos recrutadores:

- "Não, nós estamos trazendo o pessoal de volta."

- "Nós não estamos em guerra. A guerra terminou há muito tempo."

- "Se você não gostar do Exército, você pode simplesmente ir embora. É uma baixa chamada 'falha de adaptação' e não vai constar em seu registro. Será como se tudo nunca tivesse acontecido."

Não é verdade, claro. Em poucos meses de treinamento, os recrutas são despejados em Bagdá, se tiverem sorte, ou no Sul do país, em plena guerra civil, se a sorte lhe virar o rosto. Se sumirem antes do prazo, irão à Corte Marcial.

A reportagem foi feita depois de uma série de denúncias publicada pelo "New York Times", que levou o Pentágono a anunciar, em agosto passado, que tomaria "sérias medidas" para treinar e vigiar os recrutadores, que passariam a ter que seguir regras claras ao conversar com interessados em se tornar soldados. Pelo que mostra a emissora de TV, as "medidas" ainda não saíram do papel.

O lero-lero dos recrutadores americanos foi comentado de leve no documentário-panfleto "Fahrenheit 9/11", de Michael Moore, em que oficiais dos Fuzileiros Navais eram enviados especificamente a cidades empobrecidas nos últimos anos, como Flynt, no Estado de Michigan, onde o cineasta nasceu, pois é onde os adolescentes são mais suscetíveis às promessas de mudança de vida dos soldados.

Quando estive na Universidade Stanford, em 2004/2005, um dos cursos mais interessantes me foi dado por Philip Zimbardo, um dos pais da Teoria da Janela Quebrada (se você descuidar dos pequenos crimes, abre caminho para crimes maiores). Em "Psicologia do Mal", ele defendia que os soldados que cometem atrocidades, como as da prisão iraquiana Abu Ghraib, não são os últimos culpados.

"O peixe apodrece pela cabeça", ele costumava dizer. Se a cadeia de comando é corrupta, os que ocupam cargos menos graduados se sentem "liberados" a agir ao largo da lei -mesma tese que o veterano jornalista Seymour Hersh, da revista "New Yorker", defende no livro que não por acaso batizou de "Cadeia de Comando", sobre os desmandos da Guerra do Iraque.

Com a demissão na quarta de Donald Rumsfeld, secretário da Defesa e número um do Pentágono, a cadeia de comando começa a ser limpa. Mas ainda falta mais gente -acima e abaixo dele.


Escrito por Sérgio Dávila às 16h02
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Minha sugestão para Bush sobre a Guerra do Iraque

O PRESIDENTE George W. Bush disse em entrevista anteontem que aceitava sugestões sobre como lidar com a Guerra do Iraque. Aqui vai uma: mantenha o "Sigir". É a sigla em inglês para a agência federal temporária criada pelo Congresso para investigar fraudes, desperdício e mau uso de dinheiro destinado à reconstrução do país.
O escritório antimaracutaias surgiu de uma das raras iniciativas bipartidárias desse Legislativo que chega ao fim e, desde que começou a funcionar, não pára de fazer denúncias.
Uma das mais ruidosas foi a da construção da Academia de Polícia de Bagdá, que era para ser um símbolo da colaboração de invasores e invadidos em torno do problema mais grave que toma o Iraque, a falta de segurança.
A obra consumiu US$ 75 milhões. No dia da inauguração, teve de ser interditada. Entre outros problemas descobertos pelo Sigir, o teto corria o risco de desabar nos recrutas; quando as torneiras das pias dos banheiros eram abertas, o alojamento dos estudantes recebia uma chuva de fezes e urina (insira aqui sua própria metáfora irônica da presença dos EUA no Iraque).
Desde sua criação, em 2004, o escritório fez 73 relatórios de auditorias, 243 recomendações de ações e 65 análises de projetos. Pediu a abertura de 25 ações criminais no Departamento de Justiça, das quais quatro resultaram em condenações. Entre as empresas denunciadas, estão a Parsons (que fez a academia) e a KBR, antes conhecida como Kellogg Brown & Root e subsidiária da Halliburton, que já teve o vice-presidente Dick Cheney no comando.
Nas contas do titular do escritório, o incansável Stuart Bowen, a corrupção das empreiteiras norte-americanas e do governo iraquiano joga US$ 4 bilhões por ano nas mãos dos rebeldes, que usam o dinheiro para se armar e manter viva a guerra civil -e matar soldados norte-americanos, num ciclo vicioso que poucos percebem. Numa de suas auditorias, descobriu que 14 mil armas do Exército dos Estados Unidos tinham desaparecido -provavelmente, já estão nas mãos dos insurgentes. Além disso, entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões de dinheiro norte-americano já liberado pelo Congresso para a reconstrução não são usados por falta de competência dos contratados.
Há poucos dias, numa canetada, Bush zerou o dinheiro destinado ao Sigir em 2007, eliminando-o na prática. O presidente quer sugestões? Não fechar o escritório já seria um bom começo...


Escrito por Sérgio Dávila às 16h01
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Livros de Stewart são inéditos no Brasil

 

Os dois livros de Rory Stewart, infelizmente inéditos no Brasil (fica a dica para as editoras), sobre a travessia do Afeganistão e o período no Iraque:

The Places in Between

The Prince of the Marshes

Seu site: http://www.rorystewartbooks.com/index.htm

O próprio, durante a travessia:

 



Escrito por Sérgio Dávila às 12h21
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Leia íntegra de entrevista exclusiva com escritor/diplomata que cruzou o Afeganistão a pé na Guerra e foi governador de uma província do Iraque

Ele atravessou o Afeganistão a pé enquanto os EUA guerreavam para tirar o Taleban do poder, em 2001. Quatro meses após a invasão do Iraque, em 2003, pegou um táxi em Amã, na Jordânia, e disse: "Toca para Bagdá". Ali, em poucas horas, foi nomeado governador da província de Maysan, criada pelo governo da coalizão, que reunia 850 mil habitantes. Ficou no cargo por 11 meses.

Agora, aos 33 anos, o diplomata britânico Rory Stewart atravessa outra país: os Estados Unidos, onde lança seu segundo livro, "The Prince of The Marshes" (O Príncipe dos Pântanos, Harcourts, 2006), às vésperas das eleições legislativas que renovarão parte do Congresso norte-americano. No caminho, vem conversando e ouvindo a opinião de democratas e republicanos, anônimos e famosos. Sua conclusão? "Os democratas estão iludidos. Não há outra opção: temos de sair do Iraque já."

"Não acho que um novo Congresso, com novas táticas, novo enfoque, vá fazer qualquer diferença", me disse o escocês, em entrevista por telefone de Chicago, no sábado à tarde. "Fundamentalmente, não só os iraquianos, mas a população árabe não confia mais em nós, não quer trabalhar conosco, seja quem formos, democratas, republicanos, americanos, britânicos, italianos, não importa."

- Quando perguntaram ao explorador George Mallory (1886-1924) porque iria escalar o monte Everest, respondeu: "Por que ele está lá". Por que o sr. cruzou o Afeganistão e foi ao Iraque em meio a guerras?

RORY STEWART - Honestamente, não sei. Um turco que trabalhava para os chineses em Istambul me fez a mesma pergunta. Diante de minha resposta, falou: "Antes de a travessia terminar, você saberá". Ele estava errado. Quanto ao Iraque, acho que tem a ver com o fato de eu ter sido o representante britânico em Montenegro após os conflitos nos Bálcãs. Eu tinha essa idéia de ser útil para a reconstrução de um país.

- O que o sr. planejava fazer e o que aconteceu de fato?

STEWART - Acreditei que iraquianos e estrangeiros poderiam trabalhar juntos para recompor a lei, acabar com o sectarismo. Com três meses, percebi que meu trabalho deveria ser passar o poder aos locais e me concentrar no auxílio administrativo e econômico. Mais três meses, percebi que nem isso. Em abril de 2004, eles só queriam nos matar.

Éramos odiados, numa região de maioria xiita, que foi amplamente oprimida por Saddam Hussein _ou seja, em tese, que deveria estar feliz com os que o derrubaram. Daí veio minha percepção de que nós não somos bem-vindos o suficiente para conseguir fazer o que quer que seja lá. A relação é parecida com a entre os indianos e o Império Britânico em 1946 e 1947: você é percebido como um invasor estrangeiro, não importa o que faça.

- Vai aí uma crítica?

STEWART - Ao contrário. Depois que abandonamos aquela região à própria sorte, voltei a Nassiria, uma das principais cidades de lá, em janeiro do ano passado. Pois estava em melhores condições do que quando saí. Os iraquianos querem ser deixados em paz. E devem ser deixados em paz, para que decidam qual país querem ter, o que vão fazer com os insurgentes, como lidarão com (o líder xiita) Muqtada al Sadr...

- Em suas andanças pelos EUA agora, o sr. percebe o que dizem as pesquisas, de que a Guerra do Iraque é a principal preocupação nas eleições?

STEWART - Sim, mas percebo também um conceito errado que eu também tinha: mesmo os democratas estão iludidos, não querem admitir que o problema é a presença norte-americana. Acham que se mudarem as táticas, se Rumsfeld sair, se os soldados se comportarem diferente, se colocarmos mais tropas, as coisas vão melhorar. Não vão. A questão não é mais o que pode ser feito. A única opção é sair. Já pensei que deveria ser uma saída escalonada, aos poucos. Hoje, defendo que a saída seja rápida e imediata.

- Nesse sentido, tanto faz se amanhã o Congresso virar democrata ou republicano?

STEWART - Fará pouca diferença. Fundamentalmente, não só os iraquianos, mas a população árabe não confia mais em nós, não quer trabalhar conosco, seja quem formos, democratas, republicanos, americanos, britânicos, italianos, não importa.



Escrito por Sérgio Dávila às 12h17
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Coluna América de hoje - a liberdade de imprensa nos EUA já não é aquela coisa...

Na semana passada, a organização Repórteres sem Fronteiras divulgou seu quinto ranking anual de liberdade de imprensa. Dos 168 países, o Brasil está em vergonhoso 75º. Mas a surpresa foi a queda de nove posições dos Estados Unidos. Estão agora em 53º lugar, ao lado das potências emergentes de Botsuana, Croácia e Tonga e atrás de Bolívia, El Salvador e Sérvia e Montenegro.

"As relações entre a mídia e o governo Bush pioraram rapidamente depois que o presidente passou a usar a desculpa de 'segurança nacional' para classificar como suspeito qualquer jornalista que questione sua 'guerra ao terrorismo'", diz o texto da ONG, que conclui falando sobre a diferença entre os tribunais de 33 Estados e os federais -os últimos, segundo a Repórteres sem Fronteiras, "se recusam a reconhecer o direito da mídia de não revelar suas fontes e chegam a ameaçar jornalistas cujas investigações não têm nenhuma conexão com o terrorismo".

Não vale nem a pena escrever sobre a ironia que é um país cuja Primeira Emenda à Constituição reza sobre a liberdade de imprensa estar atrás de países que de alguma maneira sofreram intervenção militar deste, como Bolívia, El Salvador e Sérvia. Os invadidos aprenderam a lição que os invasores estão rapidamente esquecendo?

Há um ponto que o relatório ignora, pois não lida diretamente com jornalismo, mas não deixa de ser outra forma de pressão sobre visões divergentes da do governo atual: o comercial. Nos últimos dias, estrearam dois filmes, um documentário, outro ficção com cenas reais retrabalhadas digitalmente. A reação das empresas de comunicação a ambos dá a real dimensão do clima pelo qual passa os Estados Unidos hoje, a dois dias das eleições que podem dar o controle do Congresso à oposição democrata.

O primeiro é "Cale a Boca e Cante", sobre a caça às bruxas que sofreu a banda feminina Dixie Chicks depois de uma das garotas declarar, em pleno clima de "já ganhamos" que foi o começo da Guerra do Iraque, que ela tinha vergonha de o presidente dos EUA ser do Estado do Texas. Traidoras foi a crítica mais leve que ouviram -seus CDs chegaram a ser queimados em diversas cidades.

O outro é "A Morte de um Presidente", produção para a TV canadense que manipula imagens reais para desenvolver um "thriller" político futurista que se segue ao assassinato do presidente Bush após um discurso em Chicago em 2007 -entre outras "previsões", a aprovação por Dick Cheney de um segundo Ato Patriota, ainda mais incisivo contra as liberdades individuais do que o atualmente em vigor.

Ambos estrearam em poucas salas e atraem pouco público, como era de se esperar. O que chamou a atenção foi a recusa do departamento comercial de emissoras como a CNN, de notícias, e a NBC, uma das três grandes abertas, e da rádio pública NPR, de veicular anúncios e trailers sobre os filmes. "Atingem a imagem do presidente", se desculpou uma delas (e a Guerra do Iraque faz o quê?).

Outra disse que os anúncios não passavam pelo controle de qualidade e de ética dos departamentos comerciais. Pausa. Nos últimos dias, um mar de lama em forma de anúncios políticos de 30 segundos tomou as telas de TV do país de costa a costa, nos 50 Estados. Num deles, uma loira que diz ser da Mansão Playboy pede para o candidato da oposição "ligar para ela".

Em outro, fotos de Osama bin Laden e do ataque de 11 de Setembro aparecem antes do slogan: "São eles ou nós". "Eles", no caso, são os terroristas e os democratas; "nós", claro, são os republicanos. A se confiar nas pesquisas, o eleitor deve escolher "eles" depois de amanhã.


Escrito por Sérgio Dávila às 12h53
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Christopher Nolan faz um "Grande Truque" mágico

"O Grande Truque", o novo filme do diretor Christopher Nolan, que estréia no Brasil, tem dois problemas. O primeiro: se você dirigiu a obra-prima "Amnésia" (2000), como fazer algo que esteja pelo menos perto da qualidade desse? O segundo: cíclica (e ciclotímica), Hollywood se autocanibaliza constantemente ao lançar filmes parecidos ao mesmo tempo; dessa vez, "O Grande Truque" chegou às telas dos Estados Unidos dias depois de "O Ilusionista", de Neil Burger, de temática similar.
Pois o espectador que também é cinéfilo e fã de Nolan vai gostar de saber que ele se safa bem das duas armadilhas, como um mágico experiente. Mágicos experientes, aliás, são o tema de "O Grande Truque", sobre a rivalidade de uma vida inteira entre Robert Angier (Hugh Jackman) e Alfred Borden (Christian Bale).
O que começa como uma busca de aperfeiçoamento de truques por ambos, amparados pelo veterano Cutter (Michael Caine), vira uma obsessão pela destruição do outro após uma morte acidental que o crítico não contará para não estragar a surpresa. Nolan sendo Nolan, o filme não é contado de maneira linear, mas com vaivéns no roteiro que só ajudam no truque final do diretor.
Tudo se passa na Inglaterra da virada do século, com incursões breves pelos EUA, em que descobertas tecnológicas -como o uso da eletricidade e os novíssimos aparelhos que saem das planilhas dos engenheiros- e formas inéditas de entretenimento, como o cinema, são encarados pela população em geral com o mesmo espanto e desconfiança dados a um truque de mágica.

Sofisticação
É nesse ambiente que os prestidigitadores -"The Prestige" é o título original- encontram terreno fértil para seus truques, cada vez mais sofisticados e ousados. Como explica Cutter já no início, a platéia quer ser enganada. Para tanto, faz um acordo com o artista no começo do ato: suspenderá a crença na realidade, desde que seja surpreendida ao final...
É o que Nolan faz com o espectador, com maestria. Para tanto, conta com um roteiro bem amarrado, escrito a quatro mãos com seu irmão, Jonathan, a partir do livro homônimo do excêntrico autor britânico Christopher Priest, que teve a idéia para sua obra ao ler sobre um mágico chinês que realmente existiu (e é a chave para o filme, fique atento).
Conta ainda com um elenco impecável, em que repete a dupla de seu "Batman Begins" (Christian Bale e Michael Caine) com acréscimos importantes, como Jackman e um adorável David Bowie no papel de inventor misterioso -Scarlett Johansson, que parece estar em todos os filmes de 2006, destoa com sua performance mediana.
Passados 20 minutos do longa, o próprio espectador se sentirá na platéia de um mágico, tentando adivinhar qual afinal é o truque. E não é essa a melhor definição de bom cinema?

O GRANDE TRUQUE    
Direção: Christopher Nolan
Produção: EUA/Inglaterra, 2006
Com: Hugh Jackman, Christian Bale
Quando: em cartaz nos cines Jardim Sul, Anália Franco, Iguatemi Playarte, Metrô Santa Cruz e circuito


Escrito por Sérgio Dávila às 11h10
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