EUA, Washington, homem, de 36 a 45 anos, português, inglês, espanhol e francês

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Coluna América de hoje

O motorista de táxi que leva o repórter a um encontro no fim da noite opta por pegar uma das "carreteiras", as autopistas que cruzam Caracas, vias perigosas de uma cidade perigosa, a mais perigosa, mais que São Paulo, mais que Rio. É comum que bandidos fiquem chocando seu carro ao da vítima, em alta velocidade, até que ladrão e roubado parem no acostamento para que a "transação" se dê.

Quem se recusa tem o veículo alvejado de tiros. Aconteceu no mês passado com o engenheiro de uma multinacional que dirigia do aeroporto para casa. Morreu com disparos na cabeça, "execution style", me conta um jornalista norte-americano, que mora aqui. Nessa noite pós-eleição de Caracas, o taxista desvia rapidamente seu carro de algo espalhado pelo chão. O que é isso?

- Nada. Uma morta. Indigente. Devia estar drogada. Ou foi atropelada.

Ele pega o celular e liga para a polícia. Fala a localização exata do corpo, é passado para outros funcionários, que repetem as mesmas perguntas para ouvirem as mesmas respostas. Burocracia, sem emoção. Logo despacharão um rabecão. O cadáver será recolhido e levado para identificação. É só uma das 40 pessoas que morreram assassinadas no fim de semana prolongado das eleições.

Como São Paulo e Rio, Caracas é uma cidade dividida entre a minoria abastada e a maioria miserável. No dia a dia, a interseção mais ruidosa das classes se dá pela violência, como no Brasil. A diferença é que nas eleições esse confronto se transfere para a política. Não há área cinzenta: pobres são chavistas, não-pobres são antichavistas. Votam e no dia seguinte saem pro pau.

Dizem que a oposição tem a planície, onde ficam os bairros "bons", como Las Mercedes, mas o presidente tem os morros, onde estão os "barrios", as favelas. São maioria. Os segundos chamam os primeiros de "escualidos" (magros), pelos gatos-pingados que conseguiam reunir nas primeiras passeatas, e são chamados de "feos" (feios). Desde que Hugo Chávez assumiu, enfrentam-se de dois em dois anos nas urnas. A novidade é que a vitória dos "feos" é crescente e acaba de passar os 60%.

A um brasileiro, o que salta aos olhos é a ausência de "cordialidade". Fui andar algumas vezes no centro de Caracas, sempre sob protestos e previsões terríveis dos venezuelanos que me acompanhavam. É território "feo", um "escualido" não pode se aventurar ali, diziam. Numa das vezes, duas funcionárias do Centro Nacional Eleitoral se ofereceram para esperar comigo um táxi. Escolhiam qual carro eu deveria apanhar, para que eu não fosse "seqüestrado".

"Nunca entre em veículos que não sejam brancos", me ensinavam. "Negocie o preço antes", o que elas faziam nesse momento, para depois me dizer baixinho: "Dez mil bolívares, nada mais". Quase me estapearam ao saber que, pressionado pelo tempo, eu andara usando "mototáxis", meninos que ficam em bandos nas esquinas e vencem o trânsito impossível de Caracas por menos de um dólar a viagem.

Mas atenção: num curioso fenômeno de darwinismo social, uma nova classe social começa a surgir. São os "boliburgueses", a burguesia "bolivariana", como na revolução chavista, formados em parte pela burguesia tradicional, adesista depois dos últimos anos de perseguição e luta, parte pela mobilidade social dos "feos", impulsionada pelos petrodólares que saem dos barris exportados a preço recorde.

O sonho, diz Chávez, é que no futuro todos sejam "boliburgueses". O futuro da América Latina?

 

Este colunista entra em férias; feliz 2007 e até janeiro.


Escrito por Sérgio Dávila às 18h53
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O Ilusionista é tão bom quanto O Grande Truque

Há alguma coisa em Edward Norton, um dos grandes atores americanos de sua geração, que irrita. Pode ser sua cara de fuinha. Ou o registro de sua voz, anasalada e algo metálica. Ou seu primeiro papel no cinema, como o maquiavélico Aaron, de "As Duas Faces de um Crime" (1996) Talvez por isso Hollywood tenha tentando relegá-lo a papéis de vilão, o que ele faz bem, como os golpistas de "Cartas na Mesa" (1998) e "A Cartada Final" (2001), em que contracena com Marlon Brando e Robert De Niro e não fica nada a dever, ou o neonazista arrependido de "A Outra História Americana" (1998), talvez seu melhor desempenho até hoje.
Mas, vez que outra, Norton tem a chance de mostrar sua versatilidade. Foi o caso em "O Clube da Luta" (1999) e no musical "Todos Dizem Eu Te Amo" (1996), de Woody Allen, em que chega mesmo a cantar. É do segundo time, dos papéis versáteis, esse "O Ilusionista", que estréia hoje em São Paulo.
Dirigido pelo talentoso Neil Burger, que só fez antes o excelente "Interview with the Assassin", em 2002, sobre um hipotético ex-fuzileiro naval que se diz o tão procurado "segundo atirador" da morte de JFK, o filme chega à cidade depois da estréia do semelhante "O Grande Truque", de Christopher Nolan, o que pode prejudicá-lo.
Seria injustiça. "O Ilusionista" é tão bom quanto aquele. Mas os paralelos são inevitáveis: enquanto o primeiro centra seu foco na disputa da vida inteira entre dois mágicos (Hugh Jackman e Christian Bale) por um truque inatingível, o segundo fala da luta entre um mágico plebeu (Norton) e um herdeiro (Rufus Sewell) pela mesma mulher (Jessica Biel).
O filme é baseado no conto "Eisenheim, o Ilusionista", de Steven Milhauser, que parte de um fato histórico, envolvendo o príncipe Rudolf, da Áustria, filho único do imperador Franz Josef, e sua amante, a baronesa Mary Vetsera. Se o espectador não conhece a história, melhor assistir em ignorância. Eisenheim (Norton) e Sophie (Jessica) crescem juntos e se apaixonam. Pela diferença social, são separados; ele desaparece, mas promete voltar para resgatá-la. É o que faz ao se tornar o mágico mais famoso do império. Mas terá de enfrentar antes o herdeiro Rudolf (Sewell), todo seu dinheiro e aparato de segurança (este conduzido por um excelente Paul Giamatti) e sua própria insegurança, alimentada pelo desprezo de seu pai, o imperador, que o filho mascara com crueldade.
Além do fato de Norton ter aprendido a maior parte dos truques para o papel com o mágico britânico James Freedman, não há grandes pirotecnias nesse filme simples e bem-feito, contado e interpretado, que surpreenderá em mais de um sentido quem prestar a atenção até o final. De novo, como num truque bem executado.




Escrito por Sérgio Dávila às 19h08
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Saem as músicas pré-candidatas às cinco vagas do Oscar 2007

“Believe It” from “The Heart of the Game”
“The Best” from “Everyone’s Hero”
“The Book I Write” from “Stranger than Fiction”
“Broken Bridges” from “Broken Bridges”
“Chan Chan” from “Water”
“Circle in the Sand” from “Friends with Money”
“Coming Back to You” from “Deja Vu”
“Definition of Love” from “Akeelah and the Bee”
“Dreamz with a Z” from “American Dreamz”
“Encarnacion” from “Nacho Libre”
“Every Word” from “Wordplay”
“Family of Me” from “Over the Hedge”
“A Father’s Way” from “The Pursuit of Happyness”
“The Girl in Byakkoya - White Tiger Field” from “Paprika”
“Heist” from “Over the Hedge”
“Hillbilly Holla” from “Barnyard”
“Hollywood Familia” from “Hollywood Familia”
“I Belong” from “Open Season”
“I Need to Wake Up” from “An Inconvenient Truth”
“In Rosa Vernat Lilium” from “The Nativity Story”
“It’s a Fight” from “Rocky Balboa”
“Ju Hua Tai” from “Curse of the Golden Flower”
“Keep Holding On” from “Eragon”
“Khalbali” from “Rang de Basanti”
“Kingdom of Love” from “One Night with the King”
“Listen” from “Dreamgirls”
“A Lonely Man” from “Don’t Come Knocking”
“Love You I Do” from “Dreamgirls”
“Luka Chuppi” from “Rang de Basanti”
“The Motion” from “3 Needles”
“My Little Girl” from “Flicka”
“Never Gonna Break My Faith” from “Bobby”
“Never Let Go” from “The Guardian”
“O Kazakhstan” from “Borat Cultural Learnings of America for Make Benefit Glorious Nation of Kazakhstan”
“Open Your Heart” from “Saving Shiloh”
“Ordinary Miracle” from “Charlotte’s Web”
“Our Town” from “Cars”
“Patience” from “Dreamgirls”
“Philosophy” from “Step Up”
“PJ & Rooster” from “Idlewild”
“Quest for Love” from “Arthur and the Invisibles”
“Real Gone” from “Cars”
“Really Nice Day” from “The Wild”
“Shine on ‘Em” from “Blood Diamond”
“The Song of the Heart” from “Happy Feet”
“Star Mile” from “The Last Kiss”
“Still” from “Over the Hedge”
“Suenos” from “Hollywood Familia”
“Sweet Music” from “Glory Road”
“Til the End of Time” from “Little Miss Sunshine”
“Tonight” from “Night at the Museum”
“Try Not to Remember” from “Home of the Brave”
“Upside Down” from “Curious George”
“When You Taught Me How to Dance” from “Miss Potter”
“Won’t Let You Fall” from “Poseidon”
“You Know My Name” from “Casino Royale”



Escrito por Sérgio Dávila às 18h58
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George Chávez, Hugo Bush, unidos pelo petróleo

A propaganda de TV mostra um ônibus espacial (o Columbia? o Challenger? o Discovery?) ao som do inconfundível "Assim Falava Zaratustra", da trilha sonora de "2001 - Uma Odisséia no Espaço", de Stanley Kubrick. Ele leva Hugo Chávez "a cavalo". Uma voz que imita a comunicação entre astronautas e base diz: "Washington, nós temos um problema". E entra o slogan: "Uh! Ah! Que Chávez Não se Vá!"

É assim, provocando seu vizinho mais ao norte, que o presidente venezuelano constrói sua campanha à reeleição de hoje. O papelão que Chávez fez em sua aparição na abertura da Assembléia Geral da ONU, em setembro último, ao comparar George W. Bush ao mal, causou constrangimento na comunidade internacional, mas é moeda corrente para o público interno.

Em seus discursos, o líder venezuelano usa palavras irreproduzíveis aqui para se referir ao seu colega norte-americano. Que não fica atrás. Em 2002, Washington não só fechou os olhos como ficou feliz com uma tentativa de golpe que afastou o presidente democraticamente eleito por 47 horas do poder, o que ajudou a minar a credibilidade da política norte-americana na opinião pública desse país.

Sendo assim, a Venezuela sob Chávez seria a pedra sul-americana no sapato da Casa Branca, o que o ultraconservador Constantine C. Menges, do Hudson Institute, chamou de "novo eixo do mal" em artigo em 2002 (o cubano Fidel Castro lideraria a turma latino-americana; à época, pré-Evo Morales, o professor considerava se não era o caso de incluir o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva no bloco).

E a Casa Branca seria a pedra imperialista na sandália do Palácio Miraflores, o impedimento para um continente "revolucionário bolivariano". Tudo muito bom, tudo muito bem, mas a realidade que importa, a do dinheiro no bolso, mostra que não é bem assim. O principal parceiro econômico da Venezuela são os Estados Unidos, responsáveis por comprar 51,2% das exportações do país em 2005.

Petróleo. É isso que faz do "mal" o principal parceiro do "Eixo do Mal", e vice-versa. Sem os Estados Unidos assinando os petrocheques, o PIB venezuelano não cresceria a taxas que batem os 10% ao ano e dão inveja à economia brasileira. Sem o combustível venezuelano, o preço do galão da gasolina nos Estados Unidos, que no último verão bateu recordes, subiria ainda mais.

Chame isso de "o lado B da globalização", o aspecto pouco explorado da integração das economias, mesmo de economias em que os comandos políticos se chocam violentamente. Os dólares de George W. Bush contribuem para a sustentação da popularidade de Hugo Chávez e devem ajudá-lo a se eleger hoje por mais sete anos, o que a Casa Branca gostaria de evitar, mas não pode.

Já o petróleo do líder venezuelano contribui para que o norte-americano médio gaste menos dinheiro para encher o tanque de seu SUV e fique mais feliz com seu presidente -há uma relação inversamente proporcional entre os índices de popularidade do ocupante da Casa Branca e o preço pago pelo consumidor na bomba dos postos de gasolina. Bush ajuda Chávez, que ajuda Bush. No meio do caminho, está o eleitor, que tanto lá como cá se deixa levar pelo discurso do medo.

"Uh! Ah! Que o petróleo não se vá!" seria mais honesto.


Escrito por Sérgio Dávila às 19h28
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