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Diário da "Bolha de Bush" - Bush deixou "muito claro" a Lula que não derrubará tarifa

O norte-americano George W. Bush deixou "muito claro" a seu colega brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, que a tarifa de importação que os Estados Unidos cobram ao etanol não será derrubada até 2009, durante conversa reservada que os dois tiveram na sexta-feira, ainda em São Paulo.

"O presidente foi muito direto, disse que a tarifa dura até 2009 e que vai ficar onde está até lá", disse Dan Fisk, conselheiro de segurança nacional para a América Latina. A informação foi dada a jornalistas a bordo do AirForce One durante o vôo entre a capital paulista e Montevidéu, no Uruguai, a parada seguinte de Bush no giro latino-americano.

Atualmente, o país cobra R$ 0,30 por litro importado de etanol brasileiro, e a derrubada dessa tarifa foi anunciada por membros do governo brasileiro e pelo próprio presidente Lula como uma prioridade no encontro entre os dois presidentes. Na entrevista coletiva que deram na sexta-feira, George W. Bush havia resumido sua posição a respeito: "Não vai acontecer".

Em conversa com repórteres a bordo da aeronave presidencial norte-americana, Dan Fisk deu mais detalhes do encontro fechado. "O tema da tarifa surgiu, e é lógico que tenha surgido", disse ele. "Mas o presidente foi muito direto, como na entrevista coletiva." Na conversa reservada de trabalho, Bush disse a Lula que há oportunidade para a indústria dos biocombustíveis se desenvolver "com ou sem tarifa".

Disse ainda que ambos deveriam se concentrar nas áreas de interesse comum dos dois países, como etanol e outros biocombustíveis. Ficou claro, segundo Fisk, que a discussão "não deveria ser se os EUA vão manter ou não a tarifa, mas se outros países deveriam estar procurando maneiras de melhorar sua própria segurança energética".

Sobre as negociações da Rodada Doha, atualmente emperradas, Dan Fisk disse que os dois líderes se mostraram "otimistas" e acham que há maneiras de fazer avançar a negociação. "Mas essa não estava programada para ser uma reunião de negociação, e sim para os dois líderes compararem pontos-de-vista", afirmou.

Por fim, Lula quis discutir o Oriente Médio, "um assunto que interessa muito ao presidente brasileiro, pois o país tem uma grande população com origens lá", e particularmente a África, onde os dois países já têm uma iniciativa bilateral em Guiné Bissau e devem propor outras, relacionadas à área de saúde.

Indagado sobre se Bush pretendia forçar o Uruguai a sair do Mercosul ao propor que os dois países assinassem um tratado de livre-comércio, o que contraria as regras do bloco comercial, Fisk tergiversou. "Bem, acho que você tem de perguntar aos uruguaios sobre como eles definem seus interesse nacionais."

Mas os Estados Unidos reconhecem, segundo o conselheiro, que o Mercosul tem uma dinâmica própria. "Sabemos que eles tem de cumprir suas obrigações com o Mercosul", disse Fisk, "mas, até onde sabemos e até onde eles nos sinalizaram, não há razão que nos impeça de conversarmos sobre vários níveis de comércio e investimentos."

O presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, assinou em janeiro um acordo de intenções sobre comércio e investimentos que pode levar a um tratado bilateral de livre-comércio com os EUA, o que contraria as regras internas do Mercosul. Há duas semanas, antecipando-se à visita de Bush, Luiz Inácio Lula da Silva fez visita de emergência ao Uruguai e ofereceu mais vantagens ao parceiro.



Escrito por Sérgio Dávila às 21h24
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Diário da "Bolha de Bush" - Mala-sem-alça

 

1. Indagado sobre se se preocupava com o fato de Hugo Chávez estar fazendo sua própria turnê, que parece seguir a de Bush pela América Latina, Dan Fisk culpou a imprensa. "Parece-me que ele está seguindo vocês, mais do que a nós".

2. A seu lado no AirForce One, o porta-voz da Casa Branca, Tony Snow, completaria: "Essa narrativa [de Bush fazer uma viagem anti-Chávez pela região] são vocês que estão trazendo. Nós não trouxemos ninguém a mais em nossa bagagem".

3. "TLC INDÍGENA"

Pela manhã, Bush e Óscar Berger visitaram Chirijuyú, comunidade onde camponeses indígenas da Cooperativa Lavrares Maias fabricam embalagens que são exportadas para os EUA. O que levou um membro da comitiva presidencial a brincar: "Ele está indo fechar um tratado de livre-comércio com os índios".

4. PROTESTO NA IGREJA

A visita de Bush encontrou um crítico feroz no cardeal Rodolfo Quezada Toruño. Aos 75 anos, dedicou a missa de domingo aos imigrantes e aproveitou o sermão para soltar farpas. "Queria fazer uma oração para que essa visita não seja só folclore", disse. "Quando era criança, me ensinaram que nossa capital era Guatemala, mas agora parece que é Washington".

 



Escrito por Sérgio Dávila às 02h01
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Diário da "Bolha de Bush" - Mil palavras

 

De um lado, a dois quarteirões do palácio presidencial, onde Bush se encontrava com Óscar Berger, na Guatemala, os manifestantes

Do outro, onde fica o palácio, a praça esvaziada pela segurança



Escrito por Sérgio Dávila às 21h11
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Diário da "Bolha de Bush" - George W. Bolívar

Nos sete dias em que o presidente George W. Bush está visitando a indiada, os Estados Unidos terão gasto no Iraque o equivalente ao que destinarão à América Latina -no ano inteiro. Não é preciso ser um gênio da matemática para fazer as contas (US$ 1,5 bilhão em sete dias para um país, US$ 1,5 bilhão em 365 dias para 34 países) e perceber a importância que os vizinhos do Norte nos dão.

Enquanto esperava com parte da comitiva presidencial e a imprensa para deixar a Base Aérea Andrews, em Maryland, rumo ao aeroporto de Guarulhos (o congelamento da asa esquerda do nosso 747 quase cancela o vôo e esta coluna), ouvi de um bem-intencionado repórter norte-americano: "Estudei a América Latina para essa viagem. Não sabia que tinha tanta coisa acontecendo 'lá embaixo'!"

Há muita coisa acontecendo cá embaixo. Uma delas é um histórico desprezo dos Estados Unidos pelos outros países com os quais divide o continente. O.k., Canadá e México são exceções por razões óbvias, Cuba e Colômbia ainda provocam sobrecenhos, e o resto é o resto. Mesmo o Brasil, gigante adormecido que os gringos prometem acordar com jatos de etanol, é "peanuts", migalha, parafraseando o brasilianista norte-americano Riordan Roett em comentário sobre a ajuda financeira dada por seu país.

Bush passou os últimos seis anos -seu mandato até agora- de costas para o Sul. Quando pensou na região foi para assinar lei que determina a construção de uma barreira, muito provavelmente um muro, para impedir que os mexicanos venham fazer o serviço sujo para os brancos norte-americanos. Como brincou o comediante (mexicano) Carlos Mencia, "mas quem eles vão chamar para construir o muro?"

Os índices de popularidade do presidente batem recordes negativos e o tornam irrelevante em seu próprio país, e poucos são os lugares do mundo em que o sentimento antiamericano permite que ele coloque a sola dos pés. "Como esse presidente conseguiu em menos de meia década gastar toda a simpatia mundial com que nós contávamos no pós-11 de Setembro e ainda deixar um saldo negativo é algo que a história demorará muito tempo para explicar", me disse um professor da New York University.

Nesse contexto, o que fazer? Como garantir o "legado", que o republicano insiste em deixar e que duas guerras fracassadas -mesmo a justa, do Afeganistão, começa rapidamente a fazer água, com a volta do Taleban ao cenário- ameaçam? É assim que Bush "redescobre" o continente perdido. Tem uma boa justificativa: a ascensão de um líder popular e populista, de ações esquerdizantes e retórica antiamericana que encontra cada vez mais ressonância entre os desvalidos locais.

Foi Hugo Chávez quem fez Bush declarar 2007 o "ano do compromisso" para a América Latina; anunciar um pacote com iniciativas recicladas e pouco dinheiro novo; esboçar um projeto bilateral de biocombustível que do jeito que está formatado tem tudo para dar em nada; e partir para o que o jornal "Washington Post" chamou de "spring break", o recesso de primavera, referindo-se ao equivalente norte-americano da "semana do saco-cheio", uns dias de clima tropical para fugir das últimas semanas do inverno.

Mas há males que vêm para o bem. Se tem um legado que o aspirante a ditador Hugo Chávez pode se gabar de ter deixado um dia é fazer Bush sair da Casa Branca e andar alguns quarteirões à direita até o Reagan Building, para invocar Simón Bolívar, o "libertador das Américas", em suas próprias palavras, e conclamar "trabajadores y campesinos", como fez segunda passada.

Até 2008, aguarde menções a José Martí.

Bush fala conosco no Salão Bolívar, olhado pelo próprio libertador das Américas, na Colômbia

 



Escrito por Sérgio Dávila às 21h06
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Diário da "Bolha de Bush" - Presidente recebido por militares

 

Pela primeira vez em seu périplo, Bush é recebido com honras de chefe de Estado, passa tropas em revista e caminha pelo tapete vermelho. Sim, o presidente já está em solo colombiano e acaba de chegar à Casa de Nariño, o palácio presidencial, na parte alta da cidade (que parte não é alta na cidade com 2.600 metros de altitude?).

 



Escrito por Sérgio Dávila às 13h46
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Diário da "Bolha de Bush" - Cidade fechada para a visita

O caminho da base aérea ao palácio presidencial

Uma das quatro revistas por que passamos para entrar



Escrito por Sérgio Dávila às 12h09
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Diário da "Bolha de Bush" - Bogotá está fechada

 

Chegamos na manhã de domingo à capital COLOMBIANA sob o maior esquema de segurança até agora da viagem. Parte da capital foi simplesmente fechada pelo dia inteiro para a passagem da comitiva presidencial. Na avenida principal que liga a Base Aérea de Catam ao palácio presidencial Casa de Nariño, um percurso de 15 quilômetros, havia um soldado a cada dez metros --faça as contas. Pela primeira vez na viagem, também, passamos por quatro checkpoints até poder entrar no palácio, onde Uribe espera Bush e onde batuco essas.

(quatro países e fusos horários em três dias me deixaram com complexo de Ronald Reagan --agradeço aos que me chamaram a atenção do erro, quando escrevi que Bogotá é a capital boliviana, mesmo aos mais exaltados)

 

 



Escrito por Sérgio Dávila às 12h04
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Diário da "Bolha de Bush" - O balão que furou o bloqueio



Escrito por Sérgio Dávila às 14h06
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Diário da "Bolha de Bush" - Ainda no Brasil

Com apenas 9 anos, Duck já esteve três vezes no Iraque. O cachorro pastor alemão farejador de bombas da Aeronáutica norte-americana voou de Arkansas, Estado do ex-presidente Bill Clinton, para São Paulo com seu treinador. Chegou na quarta-feira, parte hoje. Os dois viajaram em classe econômica, lado a lado.

Sua missão é liberar sacolas e mochilas, depois de procurar por vestígios de explosivos. É Duck, também, que dá o pontapé inicial de um rotina que parou São Paulo nos últimos dois dias e deve parar outras cidades latino-americanas, na continuação do giro do presidente George W. Bush pela região. Com bagagens cheiradas e liberadas, a comitiva presidencial pode se movimentar.

A reportagem da Folha participou do comboio do presidente norte-americano que saiu do terminal de combustíveis Transpetro, em Guarulhos, e veio ao Hotel Hilton, na zona sul de São Paulo, na manhã de ontem. É como viajar num mundo paralelo, em que a paisagem está congelada e apenas um estreito corredor blindado se move. "São essas movimentações, e não a guerra, as maiores responsáveis pela impopularidade do presidente", acredita uma das pessoas que participou da comitiva.

A máquina começa a girar depois que os agentes do Serviço Secreto gritam "clear" (liberado). Todos a postos, Bush decide em qual das duas limusines Cadillac One embarcará. As duas vão juntas, para despiste. Ambas tem a placa de identificação 800-002, pelo mesmo motivo. Uma terceira, idêntica, o espera no Hilton, para casos de emergência.

Na frente e atrás, um total de quarenta carros se desloca, metade das forças policiais locais, metade dos visitantes. Entre eles, a peça fundamental é um caminhão preto, descrito vagamente como "centro de comunicações". Indagado pela Folha, um agente do serviço secreto que não quer ser identificado responde, brincando: "É nosso ‘ice-cream truck’", caminhão do sorvete.

Pequeno país em si mesmo, o furgão centralizará o contato de Bush com o mundo exterior em caso de emergência, acionando inclusive operações independentes de resgate. É esse, e não as limusines blindadas, o veículo mais vistoso da parada que sai do terminal e passa por um bairro pobre de Guarulhos. Isolada por soldados do Exército, a população local olha embasbacada o cortejo, e acena de volta quando o líder norte-americano acena.

Não há manifestações de hostilidade _ainda. Durante o discurso que Bush e Lula fizeram, minutos antes, um único balão conseguiu romper o espaço aéreo e dizia, quase bilíngüe, "Fora Bush", de um lado, e "Out Bush" (sic), do outro. Agora, no caminho, com o trânsito todo interrompido para que os carros passem, há casas simples, barracos, pessoas aglomeradas.

Até alcançarmos a rodovia Dutra. Na ligação principal entre as duas cidades mais importantes do país, a via contrária foi interrompida para que Bush passe. Nas margens, pessoas que saíram dos carros parados apontam para o relógio no pulso e mostram o gesto para os que passam em alta velocidade. Nos pontilhões, também parados pela interrupção das vias de acesso, os mais empolgados exibem o dedo médio para o presidente, um gesto descortês quase universal.

Um estudante carrega um cartaz em que se lê "Bush Horror". Duas estudantes estão pintadas com as frases "Fora Bush". Pessoas andam a pé, pela interrupção temporária dos ônibus. Aqui na comitiva, uma norte-americana pergunta ao agente do Serviço Secreto se não é um exagero parar tudo para que os carros passem. "É", diz ele. "Mas, às vezes, as autoridades locais querem ser mais realistas que o rei."

A limusine de Bush passará pela avenida Tiradentes, depois a 23 de Maio e, por fim, a Jornalista Roberto Marinho, ex-Águas Espraiadas. Cruza por uma loja da Blockbuster. Mais adiante, um cartaz anuncia o episódio 3 da cinessérie "Homem-Aranha". O norte-americano está entrando em terreno conhecido. Quase no fim, um outdoor mostrará Daniela Cicarelli apenas de calcinha. Ao lado dela, as palavras "nude" (nudez) e "hope" (esperança).



Escrito por Sérgio Dávila às 14h02
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Diário da "Bolha de Bush"

O primeiro sinal de que você está entrando na "bolha", como os correspondentes veteranos chamam o esquema de acompanhamento do presidente norte-americano em suas viagens ao exterior, são os e-mails cifrados, parcos de informações, que sua caixa postal começa a receber de pessoas do Departamento de Viagens da Casa Branca nas semanas que antecedem o périplo.

Primeiro, a surpresa: a Casa Branca tem um Departamento de Viagens. Foi motivo de escândalo durante a gestão de Bill Clinton, acusada de desvio de dinheiro, e passou por moralização desde que George W. Bush assumiu o governo. Hoje, é conhecida pela eficiência com que organiza tudo e pelas contas absurdamente altas que apresenta aos jornalistas ao final de cada giro de Bush.

Na bolha, aliás, Bush não é Bush: é POTUS, acrônimo de "president of the United States", presidente dos EUA. É mais seguro se seu nome não estiver escrito nas comunicações. Para entrar na bolha, você tem de ter o nome "liberado" por 16 agências de inteligência, e sua bagagem deve passar pelo escrutínio da segurança da Casa Branca doze horas antes do embarque no avião. Que sairá, você fica sabendo pouco antes, da Base Aérea Andrews.

Só dentro do 747 é divulgada a agenda oficial do presidente. É só então que se fica sabendo de verdade o destino de todos pelos próximos sete dias. Na aeronave da bolha, há um sistema de castas. Nas últimas fileiras, sentam-se as estenógrafas, que cuidarão de transcrever todas as falas e entrevistas oficiais. Logo depois, vêm os 23 agentes do Serviço Secreto, que você reconhece pelo cabelo cortado à escovinha e a quantidade de "Yes, sir" no ar.

Salpicados aqui e ali, funcionários da Casa Branca, das Embaixadas nos países a ser visitados, do serviço presidencial de imprensa. E a imprensa, oitenta jornalistas espalhados pela classe econômica, executiva e a primeira classe, embora todos paguem o mesmo valor. Dependendo da constância com que viajam e das amizades certas, os correspondentes recebem upgrades.

Na nossa viagem, a primeira cadeira da primeira classe é ocupada pela Fox News, o canal de notícias claramente a favor do republicano. Quem viaja pela emissora é Greta Van Susteren, que ganhou fama na CNN durante o julgamento de O.J. Simpson, foi "roubada" há alguns anos pela concorrente, fez plástica e hoje é uma das estrelas da emissora porta-voz do neoconservadorismo.

Outra constante: TVs são mais importantes que jornais, que são mais importantes que agências de notícias, que são mais importantes que Internet, que são mais importantes que rádios. No fim de todos, vem a Al Jazeera. A emissora do Qatar, crítica constante das políticas da Casa Branca, é a única a não ganhar uma fileira inteira para que sua correspondente se espalhe. Senta-se no meio da fileira central da econômica.

Em solo brasileiro, a bolha é recebida por dez veículos, e dezenas de policiais federais, funcionários do consulado americano em São Paulo e meia dúzia de militares. Será escoltada por batedores da PM, que pararão o trânsito impossível das marginais algumas vezes durante o trajeto até o hotel. Todos fazem o possível para evitar que a bolha tenha contato com a realidade. "Uma vez, fecharam uma cidade inteira para nós!", gaba-se uma americana.

Como único jornalista brasileiro _e latino-americano_, na bolha, o repórter da Folha será obrigado a responder a perguntas constrangedoras. "Isso é um rio ou só água suja?" é a dúvida de um espanhol sobre o Tietê. "Onde estão os protestos?", indaga a equipe da Al Jazeera. "Gostamos de mostrar o outro lado". A norte-americana aponta dois cavalos pastando num terreno e parece aceitar o meio de transporte como fato consumado.

E a bolha chega ao hotel.



Escrito por Sérgio Dávila às 13h58
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Surgiu, sorriu, sumiu 2

Mas deu para fazer umas fotinhos do avião chegando...

 



Escrito por Sérgio Dávila às 22h14
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Surgiu, sorriu, sumiu

 

Meninos, eu vi: o AirForce One aterrissou em Guarulhos, a oitenta metros de onde estávamos, dez minutos depois Bush descia as escadinhas, atrás de Laura, de tailleur verde-água, segundo me refrescou a memória um agente do Serviço Secreto (na minha lembrança era bege), seguido por Condi. Embarcaram numa dos dois Cadillac One e saiu o cortejo de trinta carros, em direção ao Hotel Hilton, em São Paulo. Juntando tudo, não deu meia hora. A essa altura, ele já está zapeando na suíte presidencial para pegar no sono, enquanto a primeira-dama acaba de ler seu romance policial...



Escrito por Sérgio Dávila às 21h49
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Barack Obama precisa de minha ajuda

Obama 08  

Dear Sergio,

Match Another Supporters Donation.In the last few weeks, it's been humbling and inspiring to see the hundreds of thousands of people who have signed on to support our campaign.

Many people like you are already organizing groups and building the campaign in your communities. You've been generous with your time, your energy and your ideas, and I am more convinced than ever that we are in the process of building a movement for change that this country hasn't seen in a generation.

But so far, only a fraction of those who've signed up have taken that next step in owning this campaign by making a donation.

Now I need your help to dramatically multiply the number of people who own a financial stake in our effort to change politics and transform our country.

So I'm asking you to promise to match the donation of someone who hasn't taken the leap yet.

Here's how it works:

-You choose the amount you want to match.
-You write a message to a potential donor about why it's important to own a piece of this campaign.
-You'll be matched with a fellow supporter who's making their first donation because of your promise.

My own experience as a community organizer taught me that when a person takes ownership of an organization, even with a small donation, they become far more likely to spread the word, volunteer their time and build the movement. More people have to take that first step of involvement, because the only way we can win is by making this campaign belong to as many people as possible.

Will you make a promise to match someone's first donation now?

http://action.barackobama.com/promise

It's going to take more than just you and the others who have generously donated so far to build this national campaign.

It's going to take a movement. It's going to take millions of people to beat back the millions of dollars from Washington lobbyists and special interests who are planning to spend more money than ever to try to own our political process and dictate our policies in Washington.

But we're not going to play that game.

We're not taking any contributions from Washington lobbyists or political action committees.

We're going to transform the political process by bringing together hundreds of thousands of ordinary Americans in a campaign that's owned by no one but the people.

Your promise to match someone's first donation could be what finally makes that person take that important step. If you succeed, you'll even get to read a message from the new donor you recruited.

Please make a promise to match someone's first donation now:

http://action.barackobama.com/promise

It may sound strange for a presidential candidate to launch a fundraising drive that isn't about dollars.

But our democracy shouldn't be about money, and it's time our campaigns weren't either.

It should be about people.

What the American people are asking for is simple: an end to the war in Iraq and the restoration of American leadership in the world; a chance for all Americans to get ahead in a changing economy; and a hope that our voice can matter in a political process that has too often left people out.

Today, you can be the reason that one more person takes ownership of our democracy -- make a promise to match someone's first-time donation now:

http://action.barackobama.com/promise

I'm deeply honored that so many people have put their hope and faith in our campaign.

And if we succeed, it will because you made history and took control of our campaign's destiny.

I know we can do this.

Thank you,

Barack Obama

P.S. -- If you'd like to make a donation without being part of the new donor drive, you can do so here: https://donate.barackobama.com/


Donate
Paid for by Obama for America

 



Escrito por Sérgio Dávila às 19h57
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"24 Horas" incentiva a tortura

Na coluna de 21 de janeiro, num texto intitulado "‘24’, o sonho de consumo dos neocons", escrevi sobre "24 Horas" e a impressão que me dava de que a série servia cada vez mais ao ideal neoconservador, que o agente Jack Bauer se consolidava como o James Bond da era Bush, tamanha a facilidade com que recorria a métodos "não-convencionais" em sua luta global contra o terror.

Falava ainda de evento na Heritage Foundation, uma entidade não-governamental conservadora, que reuniu parte da equipe da série (aproveito para fazer a correção: Kiefer Sutherland, o agente Bauer, não estava lá, diferentemente do que escrevi) e o "quem é quem" do establishment neocon. O tema era "‘24 Horas’ e a Imagem dos EUA na Luta contra o Terrorismo - Fato, Ficção ou Não Importa?".

Fui inundado por e-mails de fãs da série dizendo que eu exagerava, que ficção é ficção, e realidade é realidade.

Há duas semanas, na reportagem principal da "New Yorker", Jane Meyer escreve um perfil da série focado principalmente no co-criador e produtor executivo Joel Surnow. Longo perfil, mais de sete mil palavras, como só a revista semanal nova-iorquina e poucas outras ainda conseguem publicar em papel. Surnow, 52, revela que "o governo adora sua série". Os militares também.

"É patriótico", diz ele. "Tinham mais é que gostar mesmo." O produtor conta que é amigo de Ann Coulter e Rush Limbaugh, duas das cabeças da hidra ultraconservadora norte-americana; que entre seus planos está fazer um filme que mostre "o outro lado" do senador Joseph McCarthy, uma espécie de "anti-Boa Noite e Boa Sorte"; e que o secretário de Segurança Doméstica dos EUA, Michael Chertoff, um fã da série, disse que "24 Horas" "reflete a vida real".

Um amigo de Surnow conta que a sala de roteiristas do programa é chamada de "o anexo televisivo da Casa Branca" e o próprio diz que no evento da Heritage estavam também Mary e Lynn Cheney, filha e mulher do vice-presidente, Tony Snow, porta-voz de Bush, e Karl Rove, seu estrategista político, "todos fãs". O leitor fica sabendo ainda que um manual de interrogatório da CIA, a agência de inteligência norte-americana, é uma das fontes para que as cenas de tortura tenham mais veracidade.

Mas é um telefonema que o produtor recebeu em novembro último que mais chama a atenção. Era do general-brigadeiro Patrick Finnegan, reitor da Academia de West Point, a escola que forma a elite militar dos EUA. O show, disse ele, estava causando problemas. "Os garotos assistem e dizem: ‘Se tortura é errado, como você explica ‘24 Horas’?". Tudo o que Finnegan pedia era que os roteiristas pegassem mais leve nas cenas, porque estava difícil controlar futuros soldados que em meses estariam no Iraque e quereriam aplicar os mesmos "princípios éticos" que aprendiam na série.

O sentimento foi corroborado por outro membro da equipe do general-brigadeiro, Tony Lagouranis, ex-interrogador da CIA no Iraque. Ele disse que um dos DVDs mais populares dos soldados dos EUA na ativa naquele país era justamente o de "24 Horas". "As pessoas assistem ao seriado, entram nas cabines de interrogatório e fazem exatamente o que acabaram de assistir", disse ele.

Na semana passada, Kiefer Sutherland aceitou o convite de Finnegan para dar uma palestra para os aspirantes a soldados norte-americanos. "Jack Bauer" foi ensinar aos futuros combatentes da democracia que torturar era errado.

Como dizia um amigo, "siamo tutti fregatti".



Escrito por Sérgio Dávila às 20h31
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Oscar de Al Gore na Fox News



Escrito por Sérgio Dávila às 19h02
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"Madame Washington" ameaça delatar clientes

 

Ela tem a mesma profissão de "Madame Hollywood", mas um potencial de estrago mil vezes maior. Deborah J. Palfrey, também conhecida como "Jeane", exercia a segunda mais antiga das profissões --cafetina-- num lugar com o mercado mais aquecido do mundo para esse tipo de trabalho --Washington, DC. De 1993 até o último verão, ela dirigia a "Pamela Martin and Associates", um bordel de luxo, que enviava suas "funcionárias" para residências de políticos e endinheirados com mulheres em viagem ou a viajantes ilustres de hotéis de alto luxo.

Agora, ela afirma que manteve todos os registros das chamadas telefônicas --feitas e recebidas-- do período. É uma pilha de 20 quilos com 10 mil números, que, devidamente garimpados, podem render ouro. Ela ameaça vender o arquivo para pagar o que deve ao Fisco, que a investiga.

Diz seu advogado, Montgomery Blair Sibley: "Nós ainda não sabemos o valor a pedir, porque ainda não concluímos a investigação dos números de telefones. Obviamente, se Bill Clinton aparecer na lista, esta valerá mais do que se só tivermos anônimos", ameaça. Quem informa é o site Politico. Você ainda vai ouvir falar muito dos dois (a madame e o site).

 



Escrito por Sérgio Dávila às 16h11
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Apesar do pé atrás, "Notas" é grande filme

É preciso assistir a "Notas sobre um Escândalo" com dois pés atrás. O primeiro: filmes em que os atores principais são anunciados como ""sir" Fulano de Tal" e "dame" Sicrana da Silva". Para a subserviente imprensa de entretenimento norte-americana, para a indústria do entretenimento dos EUA em geral, a Inglaterra representa não o ex-opressor cuja derrota inspiraria a criação desse país, mas uma idéia de nobreza perdida.
Daí o fato dos membros do Império Romano, os cavaleiros das Cruzadas e as entidades mais iluminadas do espaço sideral serem representados quase sempre por atores com sotaque britânico.
Assim, seus títulos nobiliárquicos devem ser grudados aos nomes como o insuportável "Academy Award Winner Fulano de Tal" ou, mais comum, "Academy Award Nominee José das Couves", que os locutores de trailers falam com aquela voz rouca e falsamente animada antes de anunciar o elenco de tal e qual filme.
Pois "Notas" tem tanto uma "Academy Award Nominee/ Winner" (Cate Blanchett, três vezes indicada, um Oscar) quanto uma "dame" que também é "Academy Award Nominee/Winner" (Judi Dench, seis vezes indicada, um Oscar).
O segundo pé atrás é o livro de Zoë Heller no qual o filme se baseia, "Anotações sobre um Escândalo" ("What Was She Thinking - Notes on a Scandal", Record, 2006). Apesar de ser ficção, guarda uma incômoda semelhança com um caso real.
Em 1997, a professora Mary Kay Letourneau, 34 anos, casada, com três filhos, se envolveu com um de seus alunos, Vili Fualaau, de 12, em Seattle, nos Estados Unidos.
O caso foi coberto à exaustão pela imprensa, os dois se tornaram celebridades dos tablóides.
Ela foi condenada, cumpriu sete anos e meio e, assim que foi solta, em 2005, se casou com o menino, hoje com 22 anos. Pois bem, não é essa a história do filme/livro. Mas é quase.
A professora de artes Sheba (inglês para Sabá, como a rainha bíblica) se envolve sexualmente com um aluno menor de idade numa escola de Londres.
É descoberta por Barbara, uma professora prestes a se aposentar que não assume sua homossexualidade, mas tem em sua história uma outra grande paixão por outra jovem professora.
Solitária e observadora, usa o seu vasto tempo livre para escrever diários, nos quais conta detalhes da vida de sua gata velhinha e de tudo o que se passa ao seu redor. Quando descobre o caso da colega, percebe que o conhecimento da escapadela pode lhe dar o poder para tentar chantageá-la e, quem sabe, fazê-la se apaixonar por ela.
Sheba faz como Barbara quer, promete o que ela pede, que o caso seja rompido, e até inicia uma amizade com a veterana. Mas está envolvida demais tanto com o garoto quanto com sua vida familiar, às voltas com a filha adolescente e um filho com síndrome de Down, e não atende a todos os pedidos da amiga na hora em que ela quer. Daí virá o tal escândalo.
Pois o filme é bom. Muito bom. Principalmente por conta das interpretações da "ganhadora da academia" Cate Blanchett, como Sheba, e da dama Judi Dench, como Barbara. Some a isso o impecável Bill Nighy como o marido mais velho, e pronto.
Nighy, aliás, não é "sir" nem "indicado a" ou "ganhador de Oscar", mas um dos melhores atores britânicos hoje, com uma paleta de interpretação que vai da suavidade de "The Girl in the Café" (2005), como o diplomata reprimido, à comicidade de "Simplesmente Amor" (2003), como o impagável roqueiro decadente Billy Mack.
"Notas sobre um Escândalo" é dirigido por Richard Eyre, do ótimo "Iris", a história real da novelista Iris Murdoch e de seu marido, o também escritor John Bayley, e a luta do casal contra o Alzheimer, que acaba por tomar completamente a escritora. A interpretá-la está ela, a dama, Judi Dench.


Escrito por Sérgio Dávila às 14h22
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Morreu o grande Arthur Schlesinger

 

O historiador, um dos homens de Kennedy e grandes pensadores americanos, que disse que a saída para a Guerra do Vietnã era "de navio" e matou o engima Bush de cara. Eu vinha tentando falar com ele nos últimos dias, mas a família dizia que tentava se recuperar da doença. Eu o entrevistei sobre o milênio para a edição do primeiro dia de janeiro de 2001, pré-11.9, pré-Iraque, pré-tudo. Leia aqui.



Escrito por Sérgio Dávila às 10h17
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