EUA, Washington, homem, de 36 a 45 anos, português, inglês, espanhol e francês

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Os perigos de mascar chiclete em Cingapura - Capítulo final

Confesso que masquei. Para os que estão chegando agora, o tema de minha coluna passada foi o "affaire do chiclete", o mito urbano de que mascar o produto em Cingapura é crime punido com chibatadas. Em minha passagem pela ilha-Estado do Sudeste Asiático, vejo que não é bem assim. Como escrevi, é proibido importar chiclete, e a venda está liberada apenas para fins medicinais.

Mas e os estrangeiros? Podem levar, desde que para "consumo próprio". Foi o que fiz, com minha lata de Altoids, sabor canela. Masquei com gosto. Joguei o resto nas latas de lixo, embrulhado em papel. Com o passar dos dias, nesse curioso enclave com PIB per capita de país industrializado cercado por países em desenvolvimento, no entanto, o visitante percebe que a questão do chiclete é maior.

O fato de ter sido proibido há alguns anos, sob a alegação de que vândalos estariam grudando o produto mascado nos sensores e assim atrapalhando o sistema de transporte público (ou as portas dos elevadores, dependendo da versão), mostra quão longe alcança a mão do Estado cingapurense nas liberdades individuais. A justificativa do governo é sempre a singularidade de um

país de 4,5 milhões de habitantes cuja área é de apenas 700 km2, ou um quarto do território de Luxemburgo.

Assim, é proibido soltar fogos de artifício, pois, num espaço tão pequeno, um incêndio vira questão de segurança nacional. Ou dar a descarga várias vezes, já que Cingapura importa 50% de toda a água que consome e luta para ser auto-suficiente até 2015, quando acaba o acordo de compra com a vizinha Malásia. Esses e outros atos são punidos com multa, o que levou estrangeiros a apelidarem a ilha de "a fine country", um trocadilho com a palavra "fine", de dupla tradução ("agradável" e "multa").

Mas a globalização também obriga o país a modernizar seus costumes, quando menos, para não perder bons negócios. Ao final de quatro de anos de vai-e-vem de um tratado de livre comércio com os Estados Unidos, uma questão ficou pendente: a proibição aos chicletes. Um congressista republicano chegou a ser acionado por um fabricante norte-americano para que o problema fosse levantado.

Finalmente, no dia 6 de maio de 2003, o presidente George W. Bush e o então primeiro-ministro Go Chok Tong assinaram o acordo, o primeiro do governo do republicano com um país asiático e pelo qual US$ 20 bilhões de produtos originados em Cingapura entram nos EUA todos os anos. No parágrafo 11 do artigo segundo, acima da assinatura dos dois, lê-se:

"Cingapura tem de permitir a importação de goma de mascar com valores terapêuticos para venda e abastecimento e deve submeter produtos desse gênero às leis e regulamentos relacionados a produtos médicos." Não é brincadeira. Está no site oficial do USTR, o escritório de comércio exterior dos EUA.

As chibatadas? Há punição física em Cingapura, sim. É uma versão barra-pesada do "caning" (de "cane", vara em inglês), velho conhecido dos estudantes britânicos. Aqui, consiste em fustigar até 24 vezes as nádegas do condenado com uma vara de junco, por crimes graves -tráfico de drogas, por exemplo. O punido tem de ser homem e ter menos de 50 anos. Pode ser estrangeiro.

Não vale para apertadores compulsivos de descarga. Ou mascadores inveterados de chiclete.


Escrito por Sérgio Dávila às 08h09
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Por falar em Cingapura...

 

Daqui do Sudeste Asiático, comento a situação no Mianmar, em meu mais recente programa do UOL News.

North America Issue Cover for Sep 29th 2007



Escrito por Sérgio Dávila às 13h16
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Cingapura, isso é pura nicotina

Você fala que vem a Cingapura e amigos e colegas que já estiveram aqui dizem: cuidado. Não vá mascar chiclete. Se mascar e jogar na rua, são 19 chibatadas (O número varia. Por algum motivo, é sempre primo: 19, 13, 29. Dá mais veracidade, creio). No aeroporto, o papel entregue pela imigração avisa: "Atenção. Pena de morte para traficantes de drogas. Essa é a lei de Cingapura". Mas não fala nada de chicletes. Nem de castigos corporais.

Você chega a Cingapura e esse é o assunto preferido dos "expats", como são chamados os estrangeiros que não têm cidadania numa terra formada por estrangeiros. "Já te contaram do chiclete? Não masque. Não jogue no chão. Lembre-se das chibatadas. Sério." Você espera passar o jet lag e a primeira coisa que quer fazer é mascar chiclete, passar na frente dos guardas fazendo bola.

Melhor verificar antes.

Encontros com empresários, ministros, funcionários do governo, diplomatas. Você traz o "affaire do chiclete" à tona. E essa história do chiclete, é verdade? Pode mascar? Não pode? Se mascar e jogar no chão, vai preso? Leva chibatada? Mascar dois chicletes pode dar pena de morte? Risos nervosos. Como assim? Quem disse isso? Que absurdo. Não é bem assim. Mas como é?

Os do governo terão o mesmo discurso. Anos atrás, o chiclete era liberado. Você podia comprar quantos pacotes quisesse. Mascar em casa, na companhia de amigos. Andar na rua, a boca aberta, a goma passando de um lado para o outro, livre. Até que alguns jovens cingapurenses mal-educados começaram a grudar o produto nos sensores que regulam as portas dos trens e metrôs.

(Aqui, há uma variação: um dos funcionários me disse que os sensores eram, na verdade, dos elevadores dos prédios de moradia popular construídos pelo governo e onde moram 80% dos locais.)

Isso fazia o sistema inteiro dos transportes coletivos (ou os elevadores de alguns prédios) da cidade-Estado pararem várias vezes ao dia por conta de uns engraçadinhos. Onde já se viu? Então o governo, comandado pelo mesmo partido há mais de quatro décadas, proibiu a importação do chiclete. Veja bem: mascar está liberado. Você não pode importar. Nem vender.

Como Cingapura importa quase tudo o que consome, proibir a importação de um produto é a maneira elegante de os legisladores proibirem o consumo de um produto. Dá para trazer uns pacotes na mala para consumo próprio. Se o cidadão vem com muitas caixas, no entanto, pode levantar a suspeita de que vai revender no mercado negro e, então, ser parado pela alfândega para responder a perguntas.

Atenção: há brechas jurídicas.

A lei prevê que o chiclete seja vendido para fins medicinais. O amigo quer ser importador de chiclete em Cingapura? Tem de primeiro obter a licença para operar uma farmácia. O amigo quer comprar chiclete em Cingapura? Seu médico tem de receitar o uso. Qual a doença, perguntei eu, que exigiria o mascar de chiclete para ser curada? Algumas disfunções da mandíbula, me respondeu um funcionário, sério. E não se esqueça, é claro, do chiclete de nicotina, para ex-fumantes.

E as chibatadas? Lenda urbana, me garantiram. Se você for pego na contravenção, recebe uma multa e uma bronca. Há chibatadas, sim, e pena de morte, mas para outros crimes, mais graves. Se masquei? Volto ao assunto na semana que vem.
*
Sobre o título do post, vale rever o clipe da música em www.youtube.com/watch?v=Zj_YJ_Qdy-Y. Onde estão Cida Moreira e Eduardo Dusek quando você mais precisa deles?


Escrito por Sérgio Dávila às 13h02
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Rumo ao caixão wireless, falando em meu iPhone

Depois de meses de resistência (insurgência talvez fosse a palavra mais adequada), fui engolfado pela realidade em que você finalmente é localizável por e-mail 24 horas por dia seja onde estiver e tem acesso à internet 24 horas por dia seja onde estiver. Ganhei um iPhone de aniversário. Como diz o ditado em inglês, é um bem e um peso.

Não pelo aparelho em si, provavelmente a engenhoca mais deliciosa na qual já coloquei as mãos. Já havia "freqüentado" antes celulares que, supostamente, permitem que você navegue na rede ou passe e receba e-mails. Ao deslizar os dedos sobre o vidro plano do iPhone, porém, sinto-me como se, ao chegar à locadora para pegar meu Fiat 147 alugado, eu tivesse recebido uma Ferrari nova no lugar.

Mas é que achava que o telefone fixo e o móvel, o correio eletrônico no computador de casa, o correio eletrônico no laptop, as chamadas "gratuitas" e o bate-papo do Skype já fossem canais de acesso e preocupações suficientes -não estou nem contando os "scraps" nos meus perfis do Orkut, Facebook e MySpace e as mensagens originadas no LinkedIn.

Pensava seriamente em me alistar no movimento cada vez maior dos que declararam a "concordata do e-mail", pessoas que, como eu, vêem as mensagens se acumular na caixa de entrada e não conseguem manter o fluxo das respostas (vejo que minha mensagem mais antiga que aguarda um "reply", enviada por um amigo, é de 23 de agosto de 2006; desculpe, Marcos!).

Eis que, numa manhã de setembro, acordo para quase tropeçar na inconfundível caixinha preta do aparelho, com um cartão. Confesso que ainda demorei alguns dias para abri-la -como quem come a sobremesa bem devagar, para que dure mais. "A transferência de linhas vai dar uma trabalheira e demorar dias", pensei. "A operadora é diferente, não vão me deixar manter o número."

Que nada. Tudo não levou meia hora e foi feito inteiramente na internet.

Agora, sou um dos membros do partido de Steve Jobs. E aqui mora o outro problema. O dono da Apple, inventora e fabricante do iPhone, talvez seja o homem que mais compreendeu do que se tratará o século 21. Seu iPod revolucionou não só a indústria fonográfica como a relação das pessoas com as músicas, com os programas de TV e com as outras pessoas. O iPhone corre pela mesma raia.

Como o proverbial traficante, aquele que nossas mães diziam que colocava maconha na maçã-do-amor gratuita na porta da escola para viciar a meninada e depois cobrar pelas drogas quando os moleques voltassem querendo mais, Jobs faz aparelhos com duas características: têm um apelo irresistível e aparecem em versões "melhoradas" pouco depois de chegarem às ruas.

Esse último é o aspecto que mais me incomoda na agremiação dos "jobólogos". Você compra um produto hoje, que cairá na obsolescência em seis meses, por culpa da mesma empresa que o lançou. Quem não quiser ficar "para trás" terá de comprar o novo modelo. Para se ter uma idéia, o iPod que eu comprei há alguns meses foi relançado agora como "classic". No mundo da maçã, mais de um ano já é "clássico".

Não dou até o final do ano para que meu iPhone se torne um "original", já que é o primeiro modelo lançado, e apareça outro, provavelmente melhor. E o universo se expande. Além dos computadores de mesa e dos portáteis, além dos tocadores de música e, agora, dos celulares, já há a AppleTV. Logo teremos o iCar. A iHouse. Até sermos enterrados em um iCoffin, o caixão com wireless.


Escrito por Sérgio Dávila às 07h03
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