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Um brasileiro e um salomônico perdidos na Austrália
Estamos andando da dramática Ópera de Sydney para o hotel no centro da cidade. Nos bares do subsolo da construção expressionista do arquiteto dinamarquês Jørn Utzon, as pessoas bebem como se não houvesse amanhã. Vinho, na maioria, shiraz, quase sempre, a primeira das uvas, para os tintos, chardonnay para os brancos, cuja onipresença nos menus levou os bem-humorados locais a lançar o movimento A.B.C. - "Anything but Chardonnay", qualquer coisa menos aquele tipo de uva. O jornalista Sérgio Dávila viajou a Cingapura, Indonésia e Austrália a convite dos ministérios de Relações Exteriores locais
Escrito por Sérgio Dávila às 23h50[comente] [Regras para comentários] [envie esta mensagem]
"Amigo Shopping", o mais novo golpe contra imigrantes ilegais
Bandos de adolescentes brancos da periferia de Washington se juntam para assaltar imigrantes ilegais. O nome do golpe? "Amigo shopping", revela o WPost, como em "vamos fazer um 'amigo shopping'?" Veja em meu programa de hoje, no UOL News.
Escrito por Sérgio Dávila às 18h55[comente] [Regras para comentários] [envie esta mensagem]
Americano acredita mais em fantasma do que em Bush
Deu na Associated Press: 34% dos norte-americanos acreditam em fantasmas. A pesquisa foi feita por ocasião do Dia das Bruxas, aquele feriado tipicamente americano que por micagem começa a pegar também no Brasil. Mas esse não é o ponto: levantamento recente da mesma agência dá que apenas 29% dos norte-americanos acreditam que Bush está fazendo um bom trabalho na condução da Guerra do Iraque, como lembra o impagável colunista Dana Milbank. Donde...
Escrito por Sérgio Dávila às 14h59[comente] [Regras para comentários] [envie esta mensagem]
Meu encontro com Eldar, o menino-prodígio, que toca nesse fim-de-semana no Tim Festival
"Eldar. Eldar! Ê, ele, dê, a, erre. É, ele é russo. Muito bom, o menino. Um gênio." Assim a funcionária do Blue Note, uma búlgara quarentona e aloirada que dobra de vendedora de CDs e telefonista, explica para um cliente ao telefone quem será a atração daquela noite na casa de espetáculos de Manhattan ligada ao lendário selo de jazz. Pouca gente conhece Eldar Djangirov, 20, apesar de ele estar já no terceiro CD. Mas um séquito fiel começa a descobrir os talentos do menino -fiel o suficiente para lotar todas as mesas do lugar na noite em questão, há alguma semanas, no verão nova-iorquino. Os brasileiros terão a chance de conferir ao vivo, de amanhã a segunda, no Tim Festival, no Rio, em São Paulo e em Vitória. Com nome de elfo do "Senhor dos Anéis" e rosto do Alfred E. Newman, da revista "Mad", Eldar nasceu em 28 de janeiro de 1987, no Quirguistão, então uma das repúblicas soviéticas, dois anos antes da queda do Muro de Berlim. Seu pai era um engenheiro mecânico com bom acesso ao Politburo, o que permitia a ele viajar ao exterior freqüentemente. Fã de jazz, na volta das viagens ele contrabandeava LPs de nomes como Oscar Peterson, Chick Corea, Herbie Hancock e Miles Davis. Foram essas bolachas, mais as aulas de piano clássico dadas desde os três anos pela mãe de Eldar ("Uma professora russa estereotípica", afirma ele), que forjaram o pianista que toca agora no Blue Note, para a platéia predominantemente asiática. Eldar diz que está animado a tocar no Brasil (se essa frase fosse patenteada, o detentor dos direitos seria bilionário). Que é fã de Tom Jobim (idem). Lembro ele que a moeda do Quirguistão chama-se "som" e explico o significado da palavra em português. Ele não parece impressionado. Digo a ele que a capital de seu país tem um bairro, Chui, que é o nome da cidade brasileira mais ao sul. "Olha, eu não sei muito sobre o Quirguistão, saí de lá muito cedo", corta, muito educadamente, o quirguiz que viveu em Kansas City e hoje mora em Nova York. Passo então ao seu nome: não tem medo de não ser levado a sério ao adotar o sistema de nome único, como Cher e as modelos da "Playboy"? Ele ri e diz que aboliu o Djangirov a conselho de seu selo norte-americano, que achava o sobrenome "muito étnico". No show, o menino é rápido. Incrivelmente rápido. E toca bem. Muito bem. Um Oscar Peterson de 20 anos que ouve Mos Def e tem os traços de Art Tatum, com pitadas de McCoy Tyner e a velocidade de Kenny Kirkland. Acompanhado de Earl Travis no baixo e Terreon Gully na bateria, ele dedilha alternadamente um Steinway, um Rhodes e um Korg. No repertório, as composições de seu último álbum, "Re-Imagination", quase todo original. Ele abre o show com "I Remember When", uma bela homenagem aos pais. Emenda com o standard "Out of Nowhere", em que enfia citações a "A Night in Tunisia", de Dizzie Gillespie. Então, vai de "Place St. Henri", de Oscar Peterson, e "South Bixel", dele. Pergunto se tamanho ecletismo não pode confundir. "Eu não quero ser a mesma coisa por 50 anos", responde. "Quero aprender. Meu fundamento é música clássica, eu sou um pianista de jazz, mas acho que a atitude muda, porque o mundo muda. Não quero comer o mesmo cereal todas as manhãs." Os americanos que vieram em busca do prodígio-mirim do circuito dos talk-shows saem impressionados. Um casal discute: "É russo?". "Não, acho que é polaco". Já os brasileiros verão um artista original e talentoso que tenta se desvencilhar do patchwork de influências que ainda o envolve.
FICHA TÉCNICA Nome: Eldar Djangirov Eldar 28 de janeiro de 1987, em Frunze (hoje Bishkek), a capital do Quirguistão, então uma das repúblicas soviéticas da Ásia Central Nova York (passou a adolescência em Kansas City, no Missouri) A MÚSICA Álbuns: "Eldar" (2005), "Eldar Live at the Blue Note" (2006), "Re-Imagination" (2007) Instrumentos: piano Steinway, piano elétrico Rhodes e órgão Korg Influências (segundo o próprio): Oscar Peterson, Art Tatum, Bill Evans, Chick Corea, Herbie Hancock, Miles Davis, McCoy Tyner, John Coltrane, Benny Green, Gonzalo Rubalcaba, Bill Charlap, Roy Hargrove, Wynton Marsalis, Brad Mehldau, Marian McPartland, Mos Def, Jason Moran, Josh Redman, Radiohead, Michael Brecker, Talib Kweli, Q-Tip, Pat Metheny, Bjork, Franz Lizst, Branford Marsalis, Chopin, Common, Arcadi Volodos, Billy Taylor, Joey Calderazzo, Freddie Hubbard, Charlie Parker, Louis Armstrong, Evgeny Kissin, Duke Ellington, Marcus Miller, Betty Carter, Pat Martino, Bela Fleck, Phineas Newborn, Dave Matthews Band, Kenny Garrett, Kurt Rosenwinkel, Kenny Kirkland "e muito mais..." Sites: www.eldarjazz.com e www.myspace.com/eldar87
O SHOW Set list: "Place Saint Henri", "I Remember When", "Besame Mucho", "I Should Care", "South Bixel", "Moanin", "Point of View" e outras que decidirá na hora Banda: indiano Harish Narasimhan Raghavan no baixo, americano Aaron Lowe McLendon na bateria Quando: Sexta, em São Paulo, no Auditório Ibirapuera, às 20h30 Sábado, no Rio de Janeiro, no Euro Jazz, às 20h Segunda, em Vitória (ES), no Teatro UFES, às 20h30 Site: www.timfestival.com.br Escrito por Sérgio Dávila às 14h40[comente] [Regras para comentários] [envie esta mensagem]
Para CNN, luta ecológica no Brasil começou com americana
Acabei de ver os dois episódios de duas horas cada de "Planet in Peril", especial de aquecimento global comandado por Anderson Cooper, com a ajuda do médico-jornalista Sanjay Gupta e o biólogo Jeff Corwin, do Animal Planet. Trabalho impressionante, bem produzido, com dinheiro de sobra (a série ambiental foi bancada por uma montadora de carros e uma gigante de petróleo, o que é no mínimo curioso). Dois aspectos incomodam: 1. Com exceção da parte das geleiras, em que experts de peso são ouvidos, os casos mostrados têm um suporte acadêmico-teórico um pouco ralo. Não foram poucas passagens em que Anderson entrevistava Corwin, e só. 2. Eficientes demais, os produtores parecem ter colocado palavras a mais na boca dos entrevistados --como explicar que todos, do Chade a uma ilha pobre do Pacífico que afunda, citam "climate change", termo que é mais popular nos países industrializados de língua inglesa? Ou o pescador pobre africano dizendo que "a dieta está desbalanceada"? Mas é a passagem pela Amazônia brasileira a que mais chocou esse telespectador. Não pelas conclusões que tiram os jornalistas, todas corretas --a floresta é destruida num ritmo alarmante, todos sabemos. É a afirmação de Cooper de que a causa ambiental estava abandonada no Brasil "até 2005, quando uma americana entrou em cena". Então, ele fala da vida da ativista Dorothy Stang e de seu assassinato. Segundo "Planet in Peril", antes dela, o Brasil não tinha essa preocupação... Se a parte brasileira é mal-feita assim, passei a desconfiar das de outros lugares do mundo.
Escrito por Sérgio Dávila às 18h10[comente] [Regras para comentários] [envie esta mensagem]
Até Warren Buffett está comprando reais
É o que afirma a Economist de hoje, elogiando a economia brasileira, aqui --com direito a tabela comparando o desempenho da Bovespa com o resto do mundo.
Escrito por Sérgio Dávila às 17h23[comente] [Regras para comentários] [envie esta mensagem]
Na Indonésia, com o guardião de vulcões
O guia da minivan em Jacarta vai logo avisando: é preciso ser muito supersticioso para ser indonésio. Rumino a declaração surpreendente enquanto o motorista do pequeno carro costura ruas e avenidas da cidade com o pior trânsito em que já estive na vida -esqueça São Paulo, Cairo ou Cidade do México. Com 20 milhões de pessoas e milhares e milhares de lotações, as ruas da capital vivem paradas, a qualquer hora do dia. Vencer dez quarteirões pode levar meia hora, mesmo às 22h. Some a isso a audácia do motorista comercial local, e está feita a confusão. O nosso era pequeno e magro como os plantadores de arroz de filmes americanos sobre a Guerra do Vietnã. Sua cadeira tinha o encosto quebrado, o que fazia da direção também um ponto de equilíbrio para as costas. Adicione à mistura o fato de termos feito a viagem durante o Ramadã, o mês sagrado muçulmano em que todo religioso que se preza -como ele- jejua completamente do nascer ao pôr-do-sol. Daí a surpresa com a declaração do guia. O dele é o maior país muçulmano do mundo, com 230 milhões de almas. Mas o "homem que falava javanês" (ele realmente fala) sabe o que diz. O Islã da Indonésia não é tão rigoroso quanto o do Irã ou do Iraque. Uma volta pela capital já mostra como aqui tudo parece ser mais leve, solto e sincrético, como se o arquipélago fosse o Brasil do mundo islâmico. Por exemplo: há alguns meses, o governo da Indonésia decidiu fazer um reator nuclear ao pé de um vulcão adormecido. Se levada adiante, seria a primeira usina do tipo no país-arquipélago do Sudeste Asiático. O projeto teve a bênção de Mohamed El Baradei, chefe da Agência Internacional de Energia Atômica da Organização das Nações Unidas (ONU), que não viu problemas, desde que fosse mantida a intenção de uso pacífico. Entidades ambientais chiaram, principalmente pela localização. A usina seria erguida na vizinhança do monte Muria, de 1,6 mil metros de altura, localizado na ilha de Java, uma das 17 mil ilhas do arquipélago que são habitadas. É a maior: aqui fica a capital, Jacarta, e vivem 124 milhões de pessoas. Os verdes têm razão. Não passa um dia sem que uma das ilhas sofra um tremor, maior ou menor. Erupções são comuns, assim como maremotos -lembre-se de que esse foi o país mais atingido pelo tsunami de 2004, que matou 170 mil pessoas em Aceh, na ilha de Sumatra. Mas a população local também temia. A Indonésia faz parte do "círculo de fogo do Pacífico", uma cadeia mundial de vulcões em formato de ferradura que se espalha por 40 mil quilômetros e chega até o Chile, na América do Sul. Abriga 450 montes e é palco de 90% dos terremotos e erupções do mundo. Dois dos mais ativos estão em Java: Kelut e Merapi. O primeiro já despejou lava mais de 30 vezes; o segundo, mais de 80. Cada um tem um "guardião", apontado pelo líder tribal local, um cargo milenar cuja função é adivinhar as vontades dos vulcões, antecipar seus próximos passos e zelar para que eles não se zanguem. Definitivamente, concluiu-se: uma usina nuclear ao lado do Muria não era o desejo do monte. Por sua vez, o conselho islâmico Nahdlatul Ulama, que representa 30 milhões de pessoas, emitiu uma "fatwa", um decreto religioso, decidindo que a construção era "haram", proibida. Agora, o governo secular debate se leva o projeto adiante ou não. Como também diria nosso "homem que falava javanês", parece complicado, e é. Escrito por Sérgio Dávila às 11h11[comente] [Regras para comentários] [envie esta mensagem]
Físico brasileiro José Goldemberg é um dos "heróis do meio-ambiente" da Time
Está lá, na edição européia da revista dessa semana. O "líder e visionário" é aplaudido por seu papel no programa de etanol brasileiro, iniciado em 1975.
Escrito por Sérgio Dávila às 14h49[comente] [Regras para comentários] [envie esta mensagem]
Japonês se disfarça de máquina de refrigerantes para não ser assaltado
É o que diz o NYTimes de hoje, aqui. Mas o melhor são as fotos e o making of:
Tem também a opção hidrante, para crianças:
E a bolsa que pode rapidamente se transformar e ser jogada no chão:
Está com uma cara de trote de artista....
Escrito por Sérgio Dávila às 10h35[comente] [Regras para comentários] [envie esta mensagem]
E o tecnobrega, quem diria, foi parar na CNN
A rede descobriu o "brega sound" do Pará e usa como exemplo para reportagem sobre pirataria no Brasil, aqui.
Escrito por Sérgio Dávila às 19h11[comente] [Regras para comentários] [envie esta mensagem]
Orkut é dor-de-cabeça para Google
É a reportagem principal do "Wall Street Journal" de hoje: páginas com pedofilia, racismo e outros crimes no Orkut atrapalham negócios do Google no Brasil. Leia aqui, em inglês e para assinantes. A tabela publicada pela reportagem:
Escrito por Sérgio Dávila às 09h40[comente] [Regras para comentários] [envie esta mensagem]
Obama compara Hillary a Bush em e-mail
O senador Barack Obama, segundo colocado nas pesquisas entre os pré-candidatos democratas à sucessão de Bush, tira as luvas e parte para o confronto direto: como assinante de sua newsletter, acabo de receber e-mail em que ele compara a senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton ao atual presidente, George W. Bush --ainda que indiretamente. "[O apresentador de TV] acaba de perguntar se eu me chateio com o fato de que alguns analistas em Washington estão declarando que Hillary Clinton é a vencedora dessa eleição antes mesmo que um único voto tenha sido contado. Eu lhe digo o que disse a ele: Hillary não é a única política em Washington a declarar 'Missão Cumprida' cedo demais." Ele se refere à infame faixa com essa frase que fez pano de fundo ao discurso de George W. Bush em 2 de maior de 2003, a bordo do porta-aviões Lincoln, em que declarava que "os combates principais" no Iraque tinham acabado... Veja abaixo a íntegra do e-mail: "Sergio, I'm leaving the Tonight Show studio and I wanted to share something. Jay Leno just asked if it bothers me that some of the Washington pundits are declaring Hillary Clinton the winner of this election before a single vote has been cast. I'll tell you what I told him: Hillary is not the first politician in Washington to declare "Mission Accomplished" a little too soon. We started this week $2.1 million behind the Clinton campaign -- a lead they built in large part with contributions from Washington lobbyists and special interest PACs. We don't accept money from federal lobbyists or PACs. But we've already cut that advantage in half with small donations from people like you. Let's close the rest of that gap now. Please make a donation of $25: https://donate.barackobama.com/closethegap Thank you, Barack"
Escrito por Sérgio Dávila às 10h14[comente] [Regras para comentários] [envie esta mensagem] |