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Mais uma paródia da capa da New Yorker

 

Agora, na Entertainment Weekly, com Jon Stewart no pele de Barack Obama e Stephen Colbert como Michelle. Impagável, assim como a sessão de entrevista com esses que são dois dos melhores "âncoras humorísticos" da TV atual e dos mais críticos e lúcidos da corrida presidencial americana.

Magazine Cover (Oct 03, 2008)

A capa da Entertainment Weekly, com Stephen Colbert e Jon Stewart

A capa original, da New Yorker, que deu origem à série

 

A sátira da Vanity Fair, com Cindy e John McCain (só online, nunca saiu)



Escrito por Sérgio Dávila às 16h11
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Obama não quer etanol de cana, diz John Kerry

 

Foi o que me disse o senador John Kerry, candidato derrotado do partido Democrata à sucessão de George W. Bush em 2004. Foi num dos lugares mais freqüentados do campus da Universidade do Mississippi durante o primeiro debate presidencial da semana passada, que era a tenda de alimentação armada pela cervejaria Anheuser-Busch, comprada recentemente pela belgo-brasileira InBev.

Lá, o universo de milhares de pessoas que gira em torno de um encontro desse tipo se servia de comida típica sulista norte-americana _regada a Budweiser, o carro-chefe da A-B, e bebida energética à base de açaí. Um dos convivas era Kerry. O senador por Massachusetts vem dando assessoria a Barack Obama especificamente na questão dos debates presidenciais, numa tentativa de evitar que o companheiro de agremiação repita seus erros _a avaliação quatro anos atrás foi de que Kerry não conseguiu chegar perto da conexão com o público alcançada por seu então concorrente, o presidente George W. Bush.

Logo após terminar o prato de feijão, milho e costela de porco com molho adocicado que devorava, o senador democrata falou comigo:

BLOG DO SÉRGIO DÁVILA - O sr. já passou por todo esse processo de debates, sem sucesso. Prevê um resultado diferente para seu partido dessa vez?

JOHN KERRY - Ah, sim. Totalmente diferente. Dessa vez estamos mais robustos, muito mais bem-preparados. Pegue o tema oficial da noite, por exemplo: o plano de Barack Obama para a política externa é muito melhor do que o de John McCain. Nosso concorrente defende políticas que francamente são indefensáveis.

BDSD- O sr. mencionou política externa: acha que a relação do país com a América Latina seria diferente da do governo atual numa eventual administração de Obama?

KERRY - Sim, pelo simples fato de que esse governo não tem uma política em relação à América Latina. Eles mal sabem onde fica a América Latina e eu acho que vai haver uma diferença muito clara em relação ao governo de Barack Obama. Há muitas coisas acontecendo lá, nem todas elas boas, parcialmente, eu acho, como reação a algumas das políticas que nós temos tido nos últimos anos.

Então, precisamos ser mais espertos e nos conectar com os governos, falar mais com as pessoas de lá, ouvir mais as pessoas de lá também. E estamos ansiosos para ter o presidente Lula como nosso interlocutor.

BDSD - E em relação ao etanol? Houve um acordo importante de colaboração entre os governos Lula e Bush nos últimos anos. Seria mantido num eventual governo Obama?

KERRY - Um acordo sobre etanol celulósico, talvez. Mas não em relação ao etanol à base de planta [como o brasileiro, feito a partir da cana-de-açúcar].



Escrito por Sérgio Dávila às 14h07
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Crise econômica "embranquece" Obama

 

Pode soar como um choque para o leitor brasileiro, mas Barack Obama é negro. Segunda revelação: uma parte não desprezível do eleitor médio americano é racista. A combinação dos fatores exige que do total exibido pelo candidato democrata nas pesquisas sejam descontados pelo menos sete pontos. É o cálculo de cientistas políticos.

Segundo a tese de Andrew Hacker e seus colegas, quando lemos que os dois candidatos estão empatados em 47% das pesquisas nacionais de intenção de voto na eleição presidencial norte-americana, devemos enxergar da seguinte maneira: McCain está na frente, com 47%; Obama está em segundo, com 40%; 7% são "racistas no armário", que muito provavelmente passarão para McCain ou simplesmente não votarão, já que a eleição aqui não é obrigatória. (Os outros 6% que completam a conta hipotética são indecisos "legítimos".)

É o chamado "efeito Bradley", batizado após a corrida ao governo da Califórnia de 1982. Naquele ano, o negro Tom Bradley, prefeito democrata de Los Angeles, concorria ao cargo com o republicano branco George Deukmejian. Até a véspera do pleito, os levantamentos davam Bradley confortavelmente na frente; pesquisa de boca-de-urna apontava vitória do prefeito negro. Jornais trouxeram manchetes no dia seguinte com sua eleição. Abertas as urnas, Deukmejian foi o eleito.

Acontece que a crise econômica que engolfa os Estados Unidos e ameaça o mundo vem tendo outro efeito curioso. E não falo do fato de o tumulto ter revelado o socialista que George W. Bush trazia escondido no peito, ao patrocinar a maior intervenção do governo na economia da história do país. É colocar o candidato da oposição de novo em viés de alta. Três pesquisas indicam isso.

Embora sejam apenas um instantâneo da corrida -e tenham errado feio durante as primárias, no começo do ano-, elas servem para revelar o estado de espírito do país. E os Estados Unidos parecem começar a achar que, se o caos econômico continuar como está, Obama é o homem para comandar o país, independentemente da cor de sua pele. Os levantamentos chamam a atenção por motivos diferentes.

O mais importante é o que o jornal "Washington Post" e a emissora ABC divulgaram na quarta: Obama registrou sua maior alta quando as operações-resgate financeiras começaram nos EUA. Ele vinha em queda desde a Convenção Democrata, seguida da escolha de Sarah Palin como vice de McCain e da Convenção Republicana. Inverteu a tendência quando a banca passou a quebrar em série.

Na terça-feira, o renomado instituto Pew revelava que 57% dos ouvidos disseram que apóiam o pacote, ante 30% que são contra. No mesmo dia, a agência de notícias econômicas Bloomberg e o jornal "Los Angeles Times" traziam o contrário: 55% afirmaram que livrar a economia com um pacote não é responsabilidade do governo, ante 31% que acham que sim.

Mais importante é a segunda parte das pesquisas, que pergunta qual dos dois candidatos à presidência dos EUA seria mais capaz de lidar com a crise. Obama, para 47% dos ouvidos pela Pew e 45% dos da Bloomberg/"LAT"; McCain para 35% da Pew e 33% da Bloomberg/"LAT".

Pelo menos nessas pesquisas, se há discrepância sobre o rumo para desviar o Titanic do iceberg, parece haver consenso em relação a quem seria o melhor timoneiro.



Escrito por Sérgio Dávila às 22h46
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John McCain tentou a "jogada da Ave Maria"

 

Veja minha análise no UOL Notícias.



Escrito por Sérgio Dávila às 22h37
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O Plano Paulson, explicado

 

Cortesia do blog Indexed.



Escrito por Sérgio Dávila às 17h39
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Não há capitalismo sem quebra, nem religião sem pecado

 

Um nome lidera o coro dos descontentes com as mudanças pelas quais o Fed (Federal Reserve), movido pela premência do mercado, vem passando. É Allan Meltzer, 80, professor de política econômica da universidade Carnegie Mellon, em Pittsburgh (Pensilvânia), considerado o maior estudioso do BC americano, autor da frase "capitalismo sem quebra é como religião sem pecado -simplesmente não funciona".

Logo que detalhes do plano do governo vieram à tona, ele definiu a proposta como "social-democracia piorada". Desde então, o veterano economista vem soltando petardos em direção à equipe econômica de George W. Bush. Eu o entrevistei sobre a crise em troca de e-mails ao longo do fim de semana.

O sr. disse que as ações recentes do Fed são "inéditas, o banco nunca fez isso". O sr. vê o Fed assumindo um novo papel, mais interventor?
ALLAN MELTZER
- Sim, o Fed já assumiu um novo papel. No passado, cabia ao Congresso e ao Departamento do Tesouro tomar as ações necessárias. O Fed nunca foi um ator importante nessas situações. Agora, o banco sacrificou uma grande parte de sua independência. E eu não vejo a instituição pensando em sobre como fará para voltar ao papel tradicional que deve ter na economia nem em como vai sanar suas próprias finanças. 
 
 O sr. acompanha crises econômicas há mais de meio século. Essa é mesmo a pior, em sua opinião?
MELTZER
- Não. Essa crise não é a crise de 1929 revisitada. Em 1932, a economia tinha um crescimento negativo profundo e 25% de desemprego. Agora, nós estamos num momento de crescimento positivo e desemprego de 6,1%. Na Grande Depressão, havia poucas salvaguardas ao mercado financeiro. Agora, existem várias. E ninguém espera de verdade uma queda importante do crescimento da economia norte-americana no futuro.
Essa bobagem sobre depressão econômica vem dos bancos e das instituições financeiras de Wall Street que estão tendo grandes perdas. Eles gritam e gritam até alguém cair na conversa e os escutar. Eu já vi esse processo ocorrer várias vezes nos últimos 50 anos. Em poucas delas os gritos resultaram em desastres. Na maioria, nada mais grave aconteceu.
Em 1970, na crise da Penn Central [empresa ferroviária que protagonizou a então maior concordata da história dos EUA], o Fed não fez nenhuma operação resgate ao sistema. Nada aconteceu. Em 1987, na queda das Bolsas, o banco abriu sua janela de redesconto, mas não resgatou ninguém. Na semana passada, o Lehman Brothers quebrou. Em poucos dias, os principais ativos tinham sido vendidos.
O governo e o Fed estão confundindo interesses privados com interesses públicos. E isso é um grande erro.
 



Escrito por Sérgio Dávila às 10h09
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Americano apóia pacote? Sim e não, dizem pesquisas

 

Dois levantamentos que acabam de ser divulgados revelam ao mesmo tempo o sentimento ainda indefinido do americano médio em relação ao pacote de US$ 700 bilhões proposto pelo governo norte-americano para sua intervenção na economia e a fragilidade das pesquisas.

Ao renomado Pew, 57% dos ouvidos disseram que apoiam o pacote, ante 30% que disseram que não apoiam e 13% que dizem não saber ou se recusam a responder. A pesquisa foi feita entre os dias 19 e 22, portanto de temperatura elevado, e com 1.003 adultos no país todo.

Já à não menos renomada ação conjunta Bloomberg/Los Angeles Times, 55% dos ouvidos dizem que livrar a economia com um pacote não é responsabilidade do governo, ante 31% que acham que é, sim, e 14% que não souberam/não quiseram responder. Foram ouvidos 1.428 adultos no mesmo período.

A proposição de cada uma é diferente, mas o sentido é mais ou menos o mesmo. Mais coerente é a segunda parte de ambas as pesquisas, que pergunta qual dos dois candidatos à presidência dos EUA seria mais capaz de lidar com a crise econômica. Barack Obama, para 47% (Pew) e 45% (Bloomberg); John McCain para 35% (Pew) e 33% (Bloomberg).

Além de ter dito que assuntos econômicos não eram seu forte, no começo da campanha, o republicano voltou a deslizar ao afirmar, na segunda-feira passada, que os fundamentos da economia norte-americana estavam sólidos, macaqueando o que George W. Bush vinha falando desde o ano passado.

O problema é que, com a deterioração da economia, os "talking points" da Casa Branca mudaram, mas ninguém se lembrou de avisar o senador..

 



Escrito por Sérgio Dávila às 21h00
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Quer entender a crise?

 

Vale ler o hilariante exemplo abaixo, publicado na coluna de meu colega Fernando Canzian, no Folha Online, de autoria desconhecida.

*

"O seu Biu tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça 'na caderneta' aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados.

Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobrepreço que os pinguços pagam pelo crédito).

O gerente do banco do seu Biu, um ousado administrador formado em curso de 'emibiêi', decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento tendo o pindura dos pinguços como garantia.

Uns seis 'zécutivos' de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.

Esses adicionais instrumentos financeiros alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas do seu Biu).

Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.

Até que alguém descobre que os bebuns da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar do seu Biu vai à falência. E toda a cadeia desmorona.''

*

Vale a pena também observar a evolução irracional do valor dos preços das moradias nos Estados Unidos. Repare que, mesmo com a atual turbulência, os valores de hoje ainda são iguais aos de outubro de 2005, quando a farra parecia que não iria acabar nunca... Quer dizer, tem muita coisa para cair ainda.



Escrito por Sérgio Dávila às 16h22
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A coroação do "rei Henry" e o Ato Patriota Econômico

 

Czar da economia, ditador financeiro por dois anos, só faltava a coroação de Henry Paulson, o secretário do Tesouro norte-americano que está prestes a ganhar um talão de cheque do Congresso com saldo de US$ 700 bilhões. Pois a Newsweek dessa semana o coroa, chamando-o de "novo rosto do capitalismo".

Mas nem todos embarcam na onda. Tem gente pedindo punição aos que perderam dinheiro e outros comparando o poder que o Tesouro pede que o Legislativo lhe dê a um Ato Patriota econômico, referindo-se à lei antiterror aprovada a toque de caixa pelo Congresso logo após o 11 de Setembro e que aumentou os poderes do Executivo, no que seria a raiz dos anos de presidência imperial de Bush.  



Escrito por Sérgio Dávila às 02h45
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Aliás, quanto vale US$ 1 trilhão?

 

Esse é o total que a crise custou ao governo até agora --e outros US$ 700 bilhões estão sendo pedidos. Uma boa maneira de saber quanto vale um trilhão é fazer a conta abaixo, do (ótimo) blog The Big Picture:

* 1 milhão de segundos equivalem a 11 dias;

* 1 bilhão de segundos equivalem a 32 anos;

* 1 trilhão de segundos equivalem a 3 séculos.

Ou seja, numa forçada de barra matemática de bom efeito bloguístico, se o governo devolver o dinheiro já empenhado na crise a um ritmo de um dólar por segundo, levará três séculos para quitar a dívida... 



Escrito por Sérgio Dávila às 18h44
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Quer comprar meus títulos podres?

 

Por que o pacote do governo norte-americano só ajudará instituições financeiras que especularam com papéis que muitos sabiam serem de alto risco e baixa qualidade? O americano médio começa a se fazer essa pergunta, até porque é bem provável que a conta final seja paga por ele. Assim, nada mais natural que esse movimento que começa a ganhar força, de pessoas que também querem vender ao Tesouro seus "bens podres". Vale tudo, do CD do Milli Vanilli ao primeiro modelo do iPod, aquele que trava depois de um ano de uso. É só se cadastrar no site Buy My Shitpile, Henry!

(Henry, no caso, é Henry Paulson, o secretário do Tesouro em vias de se tornar uma cruza de czar com ditador da economia norte-americano, com mandato de 24 meses.)

Buy MY Shitpile, Henry!

 



Escrito por Sérgio Dávila às 18h31
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Bancos comerciais, a próxima vítima? --é o que teme renomado historiador financeiro

 

Falei na sexta-feira com Ron Chernow, um dos maiores historiadores financeiros dos EUA, autor de "The House of Morgan - An American Banking Dynasty and the Rise of Modern Finance" (A Casa de Morgan - Uma Dinastia Banqueira Americana e a Ascensão das Finanças Modernas, Simon & Schuster), sobre as origens do conglomerado e sua influência no sistema financeiro mundial ao longo de seguidas gerações, e as biografias "Alexander Hamilton", de 2004, considerada por muitos a biografia definitiva do primeiro secretário do Tesouro dos Estados Unidos, e "Titan - The Life of John D. Rockefeller, Sr" (Vintage, 1999).

Para ele, o presidente paga a conta por não ter supervisionado de maneira adequada o boom imobiliário. Disse que, assim como só Richard Nixon poderia ter ido à China, só George W. Bush pode fazer uma intervenção no mercado que, segundo cálculos, já equivale a 10% do PIB dos EUA e pode subir. Chernow aponta a ironia de que uma administração democrata progressista não sobreviveria a ações como as tomadas recentemente pelo governo. A raiz do tumulto por que passa o país, diz, está no que ele chama de "falha reguladora geral" da última década.

Diz ainda que, após o "desaparecimento quase completo" do universo dos bancos de investimento independentes, ele teme pela saúde dos bancos comerciais. Leia a entrevista aqui.



Escrito por Sérgio Dávila às 13h04
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Nem todo o mundo perde com a crise --é doce a vida dos CEOs

 

Cada crise econômica tem o Sherman McCoy que merece.

O fictício corretor de ações de Wall Street, criação inesquecível de Tom Wolfe no romance "A Fogueira das Vaidades", de 1987, foi o primeiro "mestre do universo", como o autor se refere à elite financeira e econômica mundial. Como ele, há todo um time de "mestres do universo" de que o público só toma conhecimento nas crises. São os figurões que enchem os bolsos enquanto suas empresas fazem água.

A crise da "contabilidade criativa" da virada do milênio, por exemplo, que eu vivi in loco em Nova York, trouxe à luz nomes como o de Kenneth Lay, o "Kenny Boy", como o chamava o amigo George W. Bush, que um dia foi considerado para o cargo de secretário do Tesouro, Jeffrey Skilling, com seu sobrenome em gerúndio com o verbo "skill", habilidade, destreza, e Andrew Fastow, o quase-Fausto.

Eram todos os mandantes da Enron, a gigante de energia que faliu e deixou milhares na miséria. Kenny Boy saiu com um pacote de US$ 42,4 milhões. Era o Sherman McCoy da vez.

Menos de dez anos depois, a quebradeira dos bancos e instituições que já custou 10% do PIB aos cofres norte-americanos começa a elencar seus Shermans. O meu preferido, por enquanto, é o CEO do Lehman Brothers.

Funcionário desde 1969 do que era o quarto maior banco de investimentos dos EUA, o agressivo e calvo Richard Fuld era conhecido por seus subordinados como "The Gorilla".

Quando a fragilidade de sua instituição veio a público, Fuld, de 62 anos, disse que "quebraria as pernas" do executivo que ele flagrasse jogando com as ações do banco na Bolsa. Não falou que antes disso tinha comprado uma ilha no exclusivo litoral de Palm Beach, reduto dos endinheirados norte-americanos na Flórida. Chama-se Jupiter Island e custou US$ 14 milhões.

Nos 14 anos em que ocupou a posição principal da instituição, embolsou US$ 500 milhões, segundo a "Forbes". Mora na luxuosa Greenwich, em Connecticut, Estado vizinho de NovaYork, e tem um apartamento funcional na Park Avenue de Manhattan, coisa de quatro quartos, quatro banheiros e US$ 21 milhões. Mesmo com a concordata de seu banco, deve sair com US$ 65 milhões.

Quem mais?

Stan O'Neal, do Merrill Lynch, levou US$ 160 milhões -o banco de investimentos, o terceiro maior dos EUA, foi vendido antes que quebrasse. Jimmy Cayne, que comandou o Bear Stearns por 15 anos, levou US$ 61,3 milhões em venda de ações.

Quando o Fed americano começava a coordenar a operação de compra de seu banco pelo JP Morgan por US$ 30 billhões, em março, Cayne jogava golfe em Detroit.

Além do pacote, ganhou um "plano-aposentadoria" de US$ 30 milhões. Ele e sua mulher compraram dois apartamentos grudados no Plaza, o luxuoso hotel de Nova York que transformou parte de seu prédio em condomínio de ricaços. Os imóveis valem US$ 28,2 milhões. Cayne tem ainda um palacete na mesma Greenwich de Richard "The Gorilla" Fuld.

Depois de darem seus testemunhos ao Congresso, o que deve acontecer nos próximos dias e como fizeram antes deles Kenny Boy, Fastow e Skilling, imagino os dois sentados lado a lado em uma de suas casas, observando crescer o gramado impecavelmente verde e impecavelmente aparado, um dizendo para o outro: "Vida dura essa nossa..."



Escrito por Sérgio Dávila às 00h22
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Sem voto nem casa, cortesia dos republicanos

Até as pedras do Capitólio sabem que essa eleição presidencial norte-americana vai ser definida por cinco ou seis Estados indecisos, em que ainda não há um favorito claro, ou pêndulos, que oscilam entre candidatos democratas e republicanos a cada ciclo de quatro anos. Dois dos mais importantes são Ohio e Michigan. Neles, Barack Obama e John McCain estão em empate técnico.
Muitas características os unem.
Localizados no Meio-Oeste norte-americano, na região dos Grandes Lagos, são governados por democratas, respondem respectivamente pela sétima e a oitava maiores populações dos EUA e contribuem no Colégio Eleitoral com 20 votos e 17 votos. A instância é a que de verdade escolhe o presidente norte-americano, em 15 de dezembro, já que a eleição aqui é indireta.
Esses 37 votos são preciosos numa corrida tão apertada como a atual, em que vence quem tiver 270 votos, ou metade mais um. Representam quase 14% da vitória. Não é exagero dizer que se Obama levar os dois, vira presidente -o mesmo para McCain. Outro aspecto une Ohio e Michigan: está em pleno curso nesses Estados uma campanha baseada em regra eleitoral que pode ser resumida pela frase "Lose your house, lose your vote" (Perca sua casa, perca seu voto).
Segundo a norma, os mesários podem se recusar a deixar o eleitor votar se tiverem motivos para acreditar que ele não tem endereço fixo na região onde está a urna. A onda é estimulada pelo comando nacional do Partido Republicano. Certamente motivos patrióticos movem os bons rapazes da agremiação de George W. Bush e McCain, mas vale a pena destrinchar um pouco a crise hipotecária que levou à crise financeira pela qual o país e o mundo passam nesse momento.
Ela começou com o boom de mutuários inadimplentes, há 13 meses. Estima-se que 2 milhões de famílias tenham perdido suas casas nesse período e que outros 3 milhões estejam no mesmo caminho. É muito voto. Dois dos Estados mais afetados? Ohio e Michigan.
Eu estive no primeiro na virada do ano. Visitei um outrora próspero bairro chamado Slavic Village, em Cleveland. Havia virado uma cidade-fantasma daquelas de filme de Velho Oeste americano.
O sentimento que dominava as poucas famílias que sobraram e as que viviam em abrigos improvisados pela região era um só: a culpa é de Bush. São pessoas que vão votar em Obama. Os números confirmam: pesquisa da última quinta-feira do "New York Times" conclui que o eleitor tem a economia como primeira preocupação, acha que a culpa pela situação econômica atual é do presidente republicano e vê Obama como o mais preparado para lidar com esse aspecto do país.
Corrigindo: são pessoas que iriam votar em Obama. Perderam sua casa, perderam seu voto.


Escrito por Sérgio Dávila às 00h18
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Congresso pode fazer "corpo mole" com pacote

 

Veja minha análise no UOL Notícias.



Escrito por Sérgio Dávila às 20h34
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Daniel Dantas, o "Darth Vader das planilhas"

 

É o que diz a Economist de hoje sobre Daniel Dantas, em reportagem de título "O brasileiro tranqüilo", em que o descreve como "um dos empresários mais controversos do Brasil", e a seu escritório, como "um forte sob cerco". Ele fala com o repórter da revista depois de tirar a bateria de seus vários celulares --um deles já virou antes um aparelho de escuta pela agência de inteligência brasileira, ele afirma à revista-- e diz "com um certo orgulho" que já esteve em mais capas de revistas brasileiras que George W. Bush.

"Abstêmio, vegetariano e frugal, o sr. Dantas parece ser um alvo improvável de tantos insultos", diz o texto, que o compara a Warren Buffett, o primeiro --ou segundo, dependendo da medição-- homem mais rico dos EUA. Sua queda coincide, sugere a reportagem, com a queda de José Dirceu. "Se ele está certo, então a imprensa brasileira está errada", conclui a Economist.



Escrito por Sérgio Dávila às 15h41
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McCain confunde Zapatero com zapatistas

 

A gafe é perdoável e não é a primeira vinda da boca de um presidente ou presidenciável norte-americano. Mas ganha outros contornos quando se sabe que, aos 72 anos, seu autor será o político mais velho a assumir a Casa Branca, se eleito. Numa entrevista dada a uma rádio latina baseada em Miami, John McCain sugeriu que não conversaria com o primeiro-ministro espanhol, José Luis Zapatero. O mais provável para esse blogueiro é que o veterano político confundiu as bolas entre Zapatero e os zapatistas, a guerrilha mexicana.

Na entrevista, que você ouve em inglês aqui, a repórter pergunta: "Senator, finally, let's talk about Spain. If you're elected president, would you invite President Zapatero to meet with you in the White House?". [Ops, ela erra também: Zapatero é primeiro-ministro, não presidente]. Antes, os dois estavam falando de América Latina, e McCain havia criticado os não-aliados dos EUA na região. Ele responde:

- "I would be willing to meet with those leaders who are friends and want to work with us in a cooperative fashion." Em seguida, elogia o governo MEXICANO.

Nova pergunta da repórter: "Would that invitation be extended to the Zapatero government?"
 
Nova resposta: "I can assure you I will establish closer relations with our friends and I will stand up to those who want to do harm to the United States of America." Mais adiante: "I have a clear record of working with leaders in the hemisphere that are friends with us and standing up to those who are not."
 
Primeiro: Zapatero pode querer tudo, menos causar danos aos Estados Unidos da América. Aliás, ele e o rei Juan Carlos foram duas das vozes mais estridentes nas críticas ao venezuelano Hugo Chávez, o inimigo público número 1 dos EUA na América do Sul. Além disso, a Espanha faz parte da Otan, ou seja, é ligada militarmente aos Estados Unidos em pelo menos uma instância. 
 
Segundo: o tal "hemisphere" citado por McCain é como os norte-americanos se referem comumente à América Latina: Hemisfério Ocidental. Na última checagem, a Espanha continuava na Europa. Percebendo que o republicano confundia as bolas, a repórter foi didática [embora tenha errado de novo o cargo]: "I'm talking about the president of Spain." 
Não adiantou. A resposta de McCain: "I'm willing to meet with any leader who is dedicated to the same principles and philosophy that we are for human rights, democracy and freedom and I will stand up to those who are not."

Depois a campanha de McCain tentou colocar panos quentes, dizendo que a resposta do republicano foi intencional --ele realmente não sabe se quer se encontrar com Zapatero... Estranho, quando se leva em conta que ele elogiou o líder espanhol no começo do ano.

A íntegra, em inglês:

Q: Senator, finally, let's talk about Spain. If you are elected president, would you be willing to invite President Jose Luis Rodriguez Zapatero to the White House to meet with you?

McCain: I would be willing to meet with those leaders who are friends and want to work with us in a cooperative fashion. And by the way, President Calderon of Mexico is fighting a very, very tough fight against the drug cartels. I am glad we are now working in cooperation with the Mexican government on the Merida plan. And I intend to move forward with relations and invite as many of them as I can, of those leaders to the White House.

Q: Would that invitation be extended to the Zapatero government, to the president himself?

McCain: I don't, I, you know, honestly, I have to look at relations, and the situations, and the priorities but I can assure you I will establish closer relations with our friends, and I will stand up to those who want to do harm to the United States of America. I know how to do both.

Q: So you have to wait and see if he is willing to meet with you, will you be able to do it in the White House?

McCain: Well, again, I don't. All I can tell you is that I have a clear record of working with leaders in the hemisphere that are friends with us and standing up to those who are not. And that's judged on the basis of the importance of our relationship with Latin America and the entire region.

Q: Okay, what about you? I'm talking about the President of Spain.

McCain: What about me what?

Q: Okay, are you willing to meet with him if you are elected president?

McCain: I am willing to meet with any leader who is dedicated to the same principles and philosophy that we are for human rights, democracy, and freedom. And I will stand up to those that do not.



Escrito por Sérgio Dávila às 15h14
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